terça-feira, 21 de abril de 2015

Como fazer um jovem adulto gostar de ler ?

LEITURA

Texto Maria Slemenson e Marion Frank

Quanto mais adultos, mais desculpas criamos para ler menos. Fuja dessa armadilha!

 Um universo fascinante se esconde entre as páginas de um livro. Ganhar o gosto da leitura, incorporando às atividades de todos os dias, é ter, em mãos, a possibilidade de viajar, de se deixar levar pela narrativa, conhecendo gente, situações e terras em tudo diferentes - ou com eles se identificar, tantas são as semelhanças. Os ganhos da leitura são evidentes e, partir de 18 anos, quem se candidata a irá ajudá-lo a se manter próximo do mundo literário. "E, de acordo com a intensidade do contato, é grande a possibilidade desse jovem adulto se sentir interessado de ler temas e autores diferentes, até para descobrir com quais mais se identifica", comenta Theodora Maria Mendes de Almeida, diretora do colégio Hugo Sarmento, em São Paulo.

Ler é um hábito poderoso que nos faz conhecer mundos e ideias. Descubra a importância da leitura para todas as idades!

Há um senão, porém: quanto mais se avança na idade, mais o tempo se mostra curto para fazer tudo o que se tem vontade. Ler é bacana, tudo bem, mas como conciliar a agenda diária com a disponibilidade de ler o que faz bem ao coração - e não apenas à carreira? Leitores adultos muitas vezes concentram a leitura nas obras que são extensão do trabalho - os chamados livros técnicos. Em outros casos, acontece o contrário, e o interesse é totalmente dirigido para os livros de ficção. Qual seria a recomendação da especialista? "É importante dividir o tempo de cada leitura, evitando o contato só com o livro didático ou só com o romance, até porque há outras coisas na vida, certo?", lembra Theodora. "O essencial é encontrar o equilíbrio".

Saiba agora o que você deve fazer para intensificar o vínculo com a leitura no seu cotidiano:

Caso tenha dificuldade de encontrar um livro de interesse, peça indicação a um amigo de gosto parecido ou mesmo a quem trabalhe com livros, caso dos atendentes das livrarias. Porque há sempre um bom livro para indicar - e ler.

Conversar com amigos, familiares e colegas sobre as últimas leituras é um modo de se manter atualizado sobre as novidades do mercado, alargando o conhecimento literário do que acontece dentro e fora do País.

A leitura deve estar presente no dia a dia da casa e ser um assunto discutido em momentos de reunião (refeições, por exemplo). A resenha de um lançamento literário pode ser o pretexto para uma animada troca de ideias com os familiares.

Fique atento aos lançamentos das editoras que você aprendeu a conhecer. Mesmo sem conhecer a obra de um determinado autor, pode ser uma boa opção de leitura, pois tem o aval de uma editora que você confia.

Proponha, em casa, fazer leituras compartilhadas: escolha um livro de interesse de todos para ser lido em voz alta e depois debatido. É o ritual perfeito da família que encontra prazer nos livros.


Procure sempre conhecer a obra de autores estrangeiros - é um modo de aumentar o seu conhecimento sobre o mundo.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O desapego nos relacionamentos

O DESAPEGO NOS RELACIONAMENTOS

10527902_701097139958608_2436112861911054011_n
Muitos interesses atuam no sentido de deturpar os conceitos que podem levar o homem ao caminho verdadeiro e a sua completa liberdade, e o desapego também não escapou disto.
O desapego nos relacionamentos vem sendo banalizado e divulgado como simples sexo livre.
Desapego não é falta de interesse nem falta de amor, mas apenas independência.
Imagine que você ganhe um carro maravilhoso, confortável e com tudo que poderia imaginar. Certamente terá muito prazer em dirigi-lo. Não há nenhum problema nisto, estamos aqui para ser felizes.
Mas se depois desfazer-se deste carro se tornar um problema, significa que você passou a depender dele. Aquele prazer que antes você não conhecia e não lhe fazia falta agora se tornou essencial para você. Você ficou viciado naquele prazer, apegou-se e depende dele. Esta é a fonte de todo o sofrimento. Você pode usar, mas não precisa ter, deve se manter livre e independente, ou todo prazer vai reverter em sofrimento.
Todo apego gera sofrimento.
No amor e nos relacionamentos pessoais vale a mesma regra. Você só estará pronto para amar verdadeiramente quando estiver bem sozinho, quando se bastar e não depender dos outros. Deve ser muito bom estar com a pessoa que ama, mas também deve ser muito bom estar sem ela. Seu amor não pode ser uma muleta.
“Quem não é um bom impar,
jamais será um bom par.”
Você também precisa entender que tudo que faz é por si mesmo, e não pelos outros, não deve esperar contrapartida.
Se quiseres preparar um café da manhã para a pessoa que ama, e surpreendê-la, faça-o e mergulhe todo seu ser nesta tarefa, absorva o prazer de cada instante, de cada detalhe da preparação. Entregue ao seu amor e curta cada detalhe, cada expressão do seu rosto, absorva aquilo e sinta todo o prazer que você merece. Depois, sinta-se satisfeito, compreenda que foi bom para você e que o outro não precisa retribuir. Não espere que lhe façam o café da manhã no dia seguinte. Se você não quiser repetir mais isso, não repita, mas também não cobre nada do seu amor. Você simplesmente fez o que queria e lhe deu prazer. Isto basta, acabou, não espera nada em troca. Você fez porque quis e foi bom para você ! Só isso ! Acabou !
Este é o amor incondicional, que não espera nada em troca, que não se apega porque respeita a liberdade do outro. Que ama a essência do outro e todas as suas formas de manifestação. Onde suprimir uma destas formas de manifestação é macular este amor, é destruir o que você ama.
Amar verdadeiramente é amar o outro em liberdade e não em uma gaiola.
Os que não entendem estes conceitos vão confundir isto com falta de interesse, porque só sabem viver no apego. Se apegam e se viciam em tudo que gostam e não conseguem entender como alguém pode gostar e não sofrer com uma perda.
Você deve amar ao outro como ser livre, sem posse e sem dependência. A sensação de posse vem da sua dependência, do medo de perder. Você não é livre porque depende e quer tirar a liberdade do outro para não perdê-lo.
Dependência não é amor, quem depende apenas usufrui. É apenas um vampiro. E dois vampiros formam apenas uma simbiose, mas nunca serão dois amantes.
“Dê a quem você ama:
asas para voar,
raízes para voltar
e motivos para ficar.”
Dalai Lama
Não há nada mais belo do que dois seres livres permanecerem juntos ligados pelo amor incondicional. Este é o verdadeiro amor, fiel pela sua natureza, que é a própria liberdade.
através de Prama Shanti

quinta-feira, 26 de março de 2015

Não chorei pela morte de José Wilker

Não chorei pela morte de Wilker)


Não chorei a morte de José Wilker, nem lastimei. Também não fiquei deprimida, mas sim serena, porque ele teve a morte dos abençoados: morreu dormindo. Que prêmio! Claro, por merecimento.

Agora minha cara leitora vai ficar chocada com o que vou escrever, mas hipocrisia não combina comigo. Detesto quem elogia velhice, tecendo mentiras em torno de uma tragédia.
A velhice é o maior castigo que cai sobre a humanidade. É a hora de pagar todos os nossos pecados. É preciso ser calhorda para chamar a velhice de “melhor idade”. Perdemos a fisionomia. Me olho no espelho e penso: “Quem é essa velha que me encara?”
São poucos os que escapam de diabetes, infarto, das terríveis dores reumáticas, da pressão alta, do Alzheimer. E quando a gente começa a sentir que precisa depender dos outros? Esse é meu maior pavor! O horror quando vou ao médico e a enfermeira começa a me chamar com voz mansinha de queridinha, bonitinha – tudo no diminutivo –, já vou dizendo: “Sou velha, mas não sou retardada”. E todos os olhares de impaciência quando você demora a abrir uma bolsa, por exemplo. Ser velho passou a ser motivo de xingamento.
Por tudo isso, não choro mais quando um companheiro vai embora, volta pra casa. Um homem brilhante como José Wilker, ator deslumbrante, culto e sensível, se alguém lhe perguntasse se queria viver mesmo que doente, tenho certeza de que ele escolheria a morte. Voltou para casa, numa viagem em que fechou os olhos e acordou na casa do Pai. Ele merecia!

autora: Xênia

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

PEDRO DORIA VIDA DIGITAL

Pedro Doria

Solitários ainda que juntos
A compulsão tecnológica nos afasta de quem nos deveria ser mais próximo; e as redes sociais só criam a ilusão da companhia
O primeiro livro escrito por Sherry Turkle, uma senhora de 66 anos, foi um ensaio sobre a psicanálise francesa após Lacan. Americana, passara o fim dos anos 1960 e o início dos 70 em Paris, onde respirou o ar de mudanças intensas. Nada, naquele início de sua trajetória acadêmica, parecia sugerir que dedicaria tanto de sua vida à tecnologia. E, no entanto, foi parar em uma das duas mecas digitais americanas. Não o Vale do Silício, mas o Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), no outro lado do país. Seu segundo livro, lançado em 1984, já falava da relação entre pessoas e computadores. Turkle foi capa da “Wired”, a bíblia da cultura digital. Foi a socióloga e psicóloga que veio à frente de todos os outros para estudar, desde cedo, esta nova e ainda mais intensa mudança.
Recentemente, Sherry Turkle começou a ter dúvidas.
O título de seu último livro: “Alone, Together”. Numa tradução livre, “Solitários ainda que juntos”. A professora do MIT não se tornou uma ludita, alguém intolerante a novas tecnologias. Tem o último iPhone e seu escritório na universidade é semelhante ao de todos seus colegas: cheio de cacarecos eletrônicos novos e velhos. Ela se interessa pelas possibilidades do convívio futuro com robôs. Mas acredita que temos um problema que começa com um dado: o número de acidentes envolvendo crianças pequenas, nos parques americanos, aumentou. Seus pais estão distraídos com o celular.
O argumento não passa pelos arranhões ou braços quebrados mas pelo que estamos ensinando a nossos filhos. Solitários, ainda que juntos: todos à mesa, cada um com os olhos em sua própria tela. Crianças fazem hoje o que sempre fizeram no passado. Buscam imitar os adultos, têm fascínio por aquilo que nos atrai. Mas, conforme as máquinas começam a dominar mais a atenção das crianças, menos elas convivem com outras pessoas.
Brincar com argila, com blocos de montar ou com tinta ensina muito. As possibilidades de arranjo são infinitas, qualquer coisa pode sair dali. Sozinhas, crianças se concentram, calam-se dentro de si mesmas, imersas numa experiência lúdica e lenta na qual aprendem alguns pontos fundamentais sobre a experiência humana. É deste silêncio absorto que nasce compreensão a respeito de si mesmo e, daí, criatividade. Os joguinhos no celular promovem o oposto, são nervosos. Exigem constante interação, mobilizam o cérebro para reflexos ágeis, calam o silêncio.
No passo seguinte, das redes sociais, a promessa é mais tentadora. Seduz crianças mais velhas assim como adultos. Estamos, parece, sempre juntos. On-line, nos fabricamos: somos aquilo que desejamos ser. Construímos uma identidade ideal e convivemos com as identidades ideais dos outros. Conforme as relações via redes se tornam compulsivas, a ilusão de companhia nos torna em verdade mais solitários. E está aí um paradoxo: na infância, deveríamos sozinhos aprender sobre como é ser gente; na idade adulta, passamos a substituir verdadeira companhia por sua ilusão.
Chegamos em casa à noite e, cada um com sua tela, nos afastamos de quem nos deveria ser mais próximo.
A palavra chave é compulsão. O mundo digital está ocupando os momentos de reflexão. À fila do banco, na sala de espera do dentista, sacamos a máquina e calamos nossas mentes.
Não olhem para mim: sou igualmente culpado. E a professora Turkle já está escrevendo um livro novo. É sobre a arte da conversa.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

TRANQUILIZA-TE !


TRANQUILIZA-TE!

O Universo é infinito.

Tu levitas num abismo sem fim e desse te protege  apenas uma fina camada de atmosfera, porém, mesmo assim a existência aqui na Terra é estável o suficiente para cultivares certezas e te acostumares a uma vida simples, que consiste em correr atrás de teus desejos para satisfazê-los ou te decepcionares.

Tranquiliza-te!                                                                                                            
Tu estás a salvo da vertigem real que sentirias ao perceberes que singras o espaço numa nave feita planeta a velocidade que em condições normais te destruiriam .

Tranquiliza-te!

As condições existenciais te protegem da verdade, mas é melhor que cada dia dediques pelo menos alguns instantes para te lembrar das reais condições em que existes, pois isso te colocará numa perspectiva mais realista e deixarás de perder tempo com bobagens...

Oscar Quiroga  - Meu guru predileto para a hora da meditação



terça-feira, 26 de agosto de 2014

SER ESPECIAL

Ser especial
Danuza Leão

Afinal, qual a graça de ter muito dinheiro? Quanto mais coisas se tem, mais se quer ter e os desejos e anseios vão mudando --e aumentando-- a cada dia, só que a coisa não é assim tão simples. Bom mesmo é possuir coisas exclusivas, a que só nós temos acesso; se todo mundo fosse rico, a vida seria um tédio.
Um homem que começa do nada, por exemplo: no início de sua vida, ter um apartamento era uma ambição quase impossível de alcançar; mas, agora, cheio de sucesso, se você falar que está pensando em comprar um com menos de 800 metros quadrados, piscina, sauna e churrasqueira, ele vai olhar para você com o maior desprezo --isso se olhar.
Vai longe o tempo do primeiro fusquinha comprado com o maior sacrifício; agora, se não for um importado, com televisão, bar e computador, não interessa --e só tem graça se for o único a ter o brinquedinho. Somos todos verdadeiras crianças, e só queremos ser únicos, especiais e raros; simples, não?
Queremos todas as brincadeirinhas eletrônicas, que acabaram de ser lançadas, mas qual a graça, se até o vizinho tiver as mesmas? O problema é: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais?
As viagens, por exemplo: já se foi o tempo em que ir a Paris era só para alguns; hoje, ninguém quer ouvir o relato da subida do Nilo, do passeio de balão pelo deserto ou ver as fotos da viagem --e se for o vídeo, pior ainda-- de quem foi às muralhas da China. Ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça? Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros --não é melhor ficar por aqui mesmo?

Viajar ficou banal e a pergunta é: o que se pode fazer de diferente, original, para deslumbrar os amigos e mostrar que se é um ser raro, com imaginação e criatividade, diferente do resto da humanidade?
Até outro dia causava um certo frisson ter um jatinho para viagens mais longas e um helicóptero para chegar a Petrópolis ou Angra sem passar pelo desconforto dos congestionamentos.
Mas hoje esses pequenos objetos de desejo ficaram tão banais que só podem deslumbrar uma menina modesta que ainda não passou dos 18. A não ser, talvez, que o interior do jatinho seja feito de couro de cobra --talvez.
É claro que ficar rico deve ser muito bom, mas algumas coisas os ricos perdem quando chegam lá. Maracanã nunca mais, Carnaval também não, e ver os fogos do dia 31 na praia de Copacabana, nem pensar. Se todos têm acesso a esses prazeres, eles passam a não ter mais graça.
Seguindo esse raciocínio, subir o Champs Elysées numa linda tarde de primavera, junto a milhares de turistas tendo as mesmas visões de beleza, é de uma banalidade insuportável. Não importa estar no lugar mais bonito do mundo; o que interessa é saber que só poucos, como você, podem desfrutar do mesmo encantamento.
Quando se chega a esse ponto, a vida fica difícil. Ir para o Caribe não dá, porque as praias estão infestadas de turistas --assim como Nova York, Londres e Paris; e como no Nordeste só tem alemães e japoneses, chega-se à conclusão de que o mundo está ficando pequeno.
Para os muito exigentes, passa a existir uma única solução: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates --sem medo de engordar--, o ar-condicionado ligado, a televisão desligada, e sozinha.
E quer saber? Se o livro for mesmo bom, não tem nada melhor na vida.

Quase nada, digamos.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer

Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

Curta nossa página no facebook: https://www.facebook.com/blogruthmanus

quarta-feira, 30 de abril de 2014

DINHEIRO


Se te parece que és pobre porque não tens o suficiente para adquirir o que desejas, hás de saber que, em diferentes proporções, até as pessoas mais ricas  se sentem pobres também . 
Tu te sentes pobre porque desejas um carro novo e teu dinheiro não alcança. 
A mesma sensação terá alguém que, viajando na primeira classe de um avião deseja ter seu próprio jatinho e percebe que seu dinheiro não alcança. 
Salvas as proporções, o dinheiro é motivo de nossa humanidade se apequenar, sempre na tentativa de se sentir maior.
O dinheiro acumulado apequena nossa humanidade, mas o dinheiro que é posto em circulação, distribuído com a mesma velocidade com que é recebido, esse sim engrandece a humanidade, porque se torna disponível a todos.

Oscar Quiroga
( o Guru preferido da Meyre Raquel)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Não prolonguem a sua dor



Mestre Saint Germain – Não prolonguem a sua dor

Não prolonguem a sua dor.Todas as experiências da vida, elas têm um começo, um meio e o um fim.
Muitas experiências são cíclicas, elas vêm e voltam na vida das pessoas, como se fossem ondas. Você passa por um aprendizado e novamente ele vem na sua vida.

Como lições, nas quais você é testado, não por um Deus que se coloca acima de você. Mas, testado por si mesmo, para ver como você reage frente às mesmas coisas.
Mas, permitam que os ciclos se fechem.
Permitam, que novos aprendizados venham para vocês.
Permitam, que novas experiências e novas lições cheguem na sua vida.
Fechem a porta por onde penetra o mal. E esta porta é o pensamento de vocês. Vocês permitem a conexão com sentimentos, vibrações e histórias negativas.

Mas, da mesma forma que vocês permitem, vocês podem fechar, vocês podem impedir, vocês podem limitar. E o primeiro passo é aceitar o fim. Aceitar o fim do ciclo. 
Aceitar o fim de um relacionamento, de um trabalho, de algo que você está vivendo.
Porque, pior que o fim, é a aflição de não ver o fim. É a aflição de tentar segurar algo que não está em suas mãos.

Prolongar uma aflição é prolongar o mal. Aceitar um fim pode ser profundamente libertador.
Aceitar as coisas como elas são, as pessoas como elas são, os fatos como eles se apresentam, oferecerá a você um enorme poder.
Escolha gastar as suas energias, o seu tempo de vida, a sua força interior, a sua inteligência, em algo que coloque você para cima. Ou no mínimo, num novo circuito.
Nunca ache que é tarde para você fechar um aprendizado e começar outro. Quem limita esse tempo e quem impede a experiência é você.

Use os seus Dons, use os seus talentos a favor de você. Administre melhor os seus pensamentos. Escolha o que pensar, o que lembrar e o que carregar com você.

Assuma o poder de ser o senhor do seu destino. Assuma o poder de dominar a si mesmo. Com muito amor, com muito respeito.

O sofrimento, muitas vezes, é necessário. Para que vocês não sejam tomados pelo ego e pela vaidade.

Aqueles, que escolheram trilhar o caminho espiritual, passam por muitas lições. Mas, não precisam passar por muitos sofrimentos. 
Quando você está conectado com o seu Eu Divino, você não prolonga o mal, você potencializa o Bem.
Use esta força para adentrar o Ano que se inicia. Hoje, já pode ser para você, um Novo Dia.
Recebam as minhas bênçãos e a minha Luz.

Eu Sou Saint Germain e atuo no Sétimo Raio, na potência da transformação da Chama Violeta. E estou aqui para fortalecer cada um de vocês, no seu caminho de Fé, na sua escolha pelo sagrado.

Porque, até o caminho sagrado, deve ser um caminho escolhido por vocês. Vocês não são obrigados a elevar a sua mente e a aceitar a espiritualidade. É uma escolha. É, também, uma escolha.

Não prolonguem o mal. Potencializem o Bem. Foco na sua Luz e naquilo que você sabe que é o Bom para a sua vida.

Recebam com Amor e se doem com Amor. Este é o caminho da Chama Violeta e este é o Poder de Expansão.

Recebam as minhas Bênçãos e o meu Amor.

Sigam em Paz.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Egoísmo necessário



Egoísmo necessário

Um dia qualquer, que pode muito bem ser hoje, despertarás com uma sensação mais intensa do que a habitual, tua mente estará imbuída com a certeza de tudo estar bem no melhor dos mundos, e que se por ventura as adversidades ainda persistirem, que essas não prevalecerão, pois tu és maior do que elas.
Um dia qualquer, que pode muito bem ser hoje, perceberás que o egoísmo, tão vituperado e malhado, te é útil, mas não para pensares apenas em ti, em detrimento dos teus semelhantes, nada disso.
Perceberás que uma pequena dose de egoísmo te faz ser maior do que as circunstâncias e que sendo maior, do que essas prestas um inestimável serviço aos teus semelhantes, facilitando que eles e elas também façam o mesmo.
Oscar Quiroga

( meu guru predileto)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A larga estupidez de Paula Lavigne no Saia Justa


Não deixem de ver os comentários sobre o texto.São muitos . Se quiser verificar clique , depois de ler o texto abaixo , emhttp://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-larga-estupidez-de-paula-lavigne-no-saia-justa/

Blogs e Colunistas
17/10/2013
 às 6:31

A larga estupidez de Paula Lavigne no “Saia Justa”

O programa “Saia Justa”, do GNT, convidou a empresária Paula Lavigne, presidente (!) do grupo “Procure Saber” e ex-mulher de Caetano Veloso, para falar sobre a polêmica das biografias. Quem assistir ao programa verá que esta senhora não sabe o que fala. A sua ignorância só não supera a sua arrogância e a sua truculência. Entre outras bobagens, tratou como valores equivalentes um artigo do Código Civil, o 20, que permite que biografados ou seus familiares interditem um livro, e os artigos 5º e 220 da Constituição, que asseguram a liberdade de expressão e vetam qualquer forma de censura. Ora, só existe uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF porque se aponta justamente a inconstitucionalidade desse Arrigo 20. Se assim decidirem os ministros do Supremo, fim de papo. Para ser didático, dona Paula: a Constituição pode declarar sem efeito um dispositivo do Código Civil, mas um dispositivo do Código Civil não pode declarar sem efeito uma garantia constitucional. Entendeu ou quer um desenho?
O debate prosseguia. Paula tentava desesperadamente arrumar um argumento. Dizia que ela e seu grupo estavam injustamente sendo acusados de censores, sem conseguir explicar, no entanto, por que aquilo que defendem não é, afinal de contas, censura. Pouco se lhe dá que a tal lei impeça, como tem impedido, de se contar parte da história do Brasil e que inexista restrição parecida em qualquer democracia do mundo. E daí? O Brasil atrasado pode lhes parecer um bom lugar quando se trata de defender o que consideram seus próprios interesses.
A jornalista Barbara Gancia é uma das integrantes do “Saia Justa”. Fez o que as pessoas razoáveis fazem nas democracias. Combateu a censura, citou os dispositivos constitucionais e lembrou que existem leis para punir abusos. Sem saída, Paula Lavigne apelou.
— Barbara, você é gay assumida, né?
— Sou.
— Qual é o nome da sua namorada?
— Marcela.
— Ela não vai se sentir bem vendo eu perguntar isso, é disso que estou falando, você não está entendendo na teoria e agora viu na prática como é ruim ter a privacidade invadida!
Retomo
Paula Lavigne é vulgar e preconceituosa. E o é, como diz uma das minhas filhas, num “nível novo”, que pode escapar a uma análise mais ligeira. Vamos lá. Agora parte da minha biografia: Barbara é minha amiga há 21 anos. Nunca escondeu o que não tinha de ser escondido. Nesses anos, jamais vi alguém, por mais que a detestasse ou que estivesse furioso com suas opiniões, recorrer à sua sexualidade para tentar vencer o debate, como se fosse um argumento eficiente. Querem a evidência incontornável de que se tratou de preconceito? É simples: se Barbara fosse heterossexual, o diálogo seria impossível, não é? Imaginem:
— Barbara, você é heterossexual assumida, né?
— Sou.
— Qual é o nome do seu namorado?
— Paulo.
— ElE não vai se sentir bem vendo eu perguntar isso, é disso que estou falando, você não está entendendo na teoria e agora viu na prática como é ruim ter a privacidade invadida!
É asqueroso! No mundo de dona Paula Lavigne, os gays devem ser menos livres para ter opiniões do que os heterossexuais, ou ela logo quer saber qual é o nome do “namorado” ou da “namorada”… O mais patético é que Barbara respondeu o que lhe foi perguntado sem constrangimento, mas Paula insistiu em ver ali a suposta violação incômoda de uma intimidade — violação que não havia porque não se cuidava de nenhuma informação secreta. Mas ainda não cheguei ao fundo do pântano ético desta senhora.
Digamos, só para efeitos de pensamento, que a homossexualidade de Barbara fosse um segredo guardado a sete chaves, bem como o nome da sua namorada. Ora, quem é que estava a falar no programa como a guardiã do “direito à intimidade”? Entendo. Paula só estava tentando ser didática e sagaz.
Não é a primeira vez
Trinta anos depois, essa gente aprendeu muito pouco. Em 1983, furioso com umacrítica que Paulo Francis lhe fez, Caetano, ex-marido de Paula Lavigne e um dos entusiastas da censura, chamou o jornalista de “bicha amarga” e “boneca travada”. Nos recentes embates que tive com ele, lembrei a baixaria. Caetanotentou se explicar, e a emenda saiu bem pior do que o soneto. Segundo disse, a parte negativa da caracterização era “travada”, não “bicha”. Ah, bom! Paula Lavigne acha que Barbara Gancia não poderia jamais ter aquela opinião sendo gay. E Caetano acha que uma bicha só é digna se for “destravada”. Poderia ser dito de outro modo: “Já que é bicha, que seja destravada”. Não sei se ele tem exigências também voltadas aos heterossexuais.
O mesmo Caetano, descontente com um texto de Mônica Bergamo, colunista da Folha, sobre autorização para Maria Bethania captar patrocínio pela Lei Rouanet, resolveu especular sobre a vida privada da jornalista, acusando-a de “parceira extracurricular” de um colega. Escrevi sobre o despropósito. A Lei Rouanet é um instrumento público de fomento à cultura. Saber quem tem e quem não tem acesso à vantagem é de interesse do conjunto dos brasileiros. Mas o cantor tomou a coisa como pessoal. E ainda escreveu: “Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão”. Em suma: Caetano acha que não precisa “ser discreto e sóbrio” com a vida de pessoas privadas, mas quer uma lei que censure a biografia de pessoas públicas.
Num embate recente com Mônica no Twitter, Paula Lavigne mandou ver esta delicadeza:
Paula Lavigne Mônica Bergamo
Ela se desculpou, e parece que a jornalista aceitou as desculpas. Não estou aqui a tomar as dores de ninguém. Mônica sabe se defender — assim como Barbara. Estou é evidenciando um estilo.
Sei o quanto me custa de aporrinhação e de xingamentos os mais estúpidos as críticas que faço à chamada “lei que pune a homofobia”. Trata-se, em muitos aspectos, de mais uma agressão à liberdade de expressão sob o pretexto de defender uma minoria. Precisamos é que as leis que existem para punir todas as formas de agressão sejam devidamente aplicadas. E com celeridade — inclusive as que coíbem os crimes contra a honra.
O que me espanta ao relatar esses casos é ver a ligeireza com que esses “descolados” — que jamais serão chamados de “homofóbicos” — podem recorrer à sexualidade desse ou daquele ou a supostos aspectos da vida privada de desafetos para tentar vencer um debate sobre temas que são de interesse público. Se há coisa que não me interessa — e desconfio que interesse a bem pouca gente — é a vida venturosa de Caetano Veloso, de Djavan ou de Chico Buarque. Espantoso é que esses senhores, sob o pretexto de preservar a sua intimidade, defendam uma lei já tornada obsoleta pela Constituição, que permite, e isto é inegável, até a censura prévia.
Paula Lavigne, no seu estilo sem limites, em conversa com O Globo, afirmou que Barbara teria pedido ao GNT que cortasse trechos do programa. Estranhei. Telefonei para Barbara.
— Você pediu isso?
— Reinaldo, eu vou fazer uma cópia da mensagem que enviei para a Mariana Koehler, que é a diretora do Saia Justa. Minutos depois, chegava ao meu celular O SMS que Mariana recebeu na manhã de quarta-feira. Assim:
“Bom dia, flor:
Não se preocupe comigo na hora de editar, tá tudo tranquilo, faça o que for melhor pro programa. Confio 100% no seu bom senso. Manda bala e vamos em frente!”
É MAIS SEGURO PARA A HUMANIDADE QUE PAULA LAVIGNE TENTE CENSURAR BIOGRAFIAS. IMAGINEM SE ELA FOSSE UMA BIÓGRAFA…
Encerro lembrando que esses patriotas costumam reclamar ainda da imprensa brasileira. Com raras exceções, o jornalismo que se pratica no Brasil preserva, sim, a intimidade de personalidades públicas — inclusive dos artistas. É claro que, de vez em quando, aparecem um Lula ou outro para protestar. O agora ex-presidente ficou furioso quando a imprensa noticiou que a Gamecorp, empresa de Lulinha, um de seus filhos, recebeu um aporte de R$ 5 milhões da então Telemar. Segundo o petista, tratava-se de “assunto privado”. Errado! A Telemar era detentora de uma concessão pública e tinha como sócio o BNDES. Se ela dá dinheiro para a empresa do filho do presidente da República, a notícia é do interesse de todos os brasileiros.
Lula, Chico Buarque e Caetano Veloso acham que biografia boa é biografia autorizada. Estão a um passo de achar que jornalismo bom é jornalismo autorizado.
Se não é assim, Paula Lavigne logo pergunta:
— Você é gay, né?
Texto publicado originalmente às 5h26
Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 19 de junho de 2013

sobre os governantes brasileiros


O Rei Está Nu
Este é um conto que trata da vaidade humana. Quanto maior a vaidade, mais tolos nos tornamos. E costumamos alimentar a vaidade uns dos outros. 
Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar muito bem arranjado. Um dia, um alfaiate espertalhão deu-lhe o seguinte conselho:
- Majestade, é do meu conhecimento que apreciais andar sempre muito bem vestido, como ninguém; e bem o mereceis! Descobri um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos não são capazes de o ver. Com um manto assim Vossa Majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes das pessoas tolas, parvas e estúpidas que não servirão para a vossa corte.
- Oh! Mas é uma descoberta espantosa! - respondeu o rei. - Traga-me já esse tecido e faça-me a roupa; quero ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço.
O alfaiate aldrabão tirou as medidas do rei e, daí a umas semanas, apresentou-se, dizendo:
- Aqui está o manto de Vossa Majestade.
O rei não via nada, mas como não queria passar por parvo, respondeu:
- Oh! Como é belo!
Então o alfaiate fez de conta que estava vestindo o manto no rei, com todos os gestos necessários e exclamações elogiosas:
- Vossa Majestade está tão elegante! Todos vos invejarão!
A notícia correu toda a cidade: o rei tinha um manto que só os inteligentes eram capazes de ver. Um dia, o rei decidiu sair para se mostrar ao povo, desfilando pela cidade, com sua comitiva real acompanhando.
Toda a gente fingia admirar a vestimenta, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a certa altura, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
- Olha, olha! O rei está nu!
Ninguém conseguiu segurar o riso. Todos gargalharam e só então o rei compreendeu que fora enganado. Envergonhado e arrependido da sua vaidade, correu a esconder-se no palácio.

(Baseado no conto de Hans Christian Andersen)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Angelina Jolie: a heroína cretina



De Jovem, Angelina Jolie se cortava com navalhas e chafurdava em drogas. Adulta, paga picaretas para anestesiá-la e cortá-la com bisturis. Estrela, em uma década se transmutou de anabólica Mulher Maravilha em Mater Dolorosa. Se arrasta esquálida por tapetes vermelhos e aeroportos, carregando a pobre humanidade, versão multicor de chupeta, embaixatriz da ONU, metade do casal mais famoso do mundo.

Decidiu realizar uma dupla mastectomia preventiva. Explicou os porquês em um artigo para o New York Times. Não existem porquês. Tirar as duas mamas saudáveis é loucura varrida. O texto rescende a sensatez. É macabro. Ela diz que revelou o segredo para inspirar outras mulheres. É irresponsável. O New York Times se rebaixa a pasquim, publicando o texto. Que, como tudo em Hollywood, parece produto de especialistas em relações públicas. E é. Mesmo que o press release seja mesmo de autoria de Jolie.

Angelina conta que carrega mutações no gen BRCA1, que a predispõe ao câncer de mama e ovário. Explica que médicos deram 87% de chance de ter câncer de mama, e 50% de câncer no ovário, em algum momento de sua vida. Um câncer de ovário matou sua mãe, que tinha a mesma tendência genética, aos 56 anos. Para diminuir radicalmente seu risco de ter câncer, 

Angelina tirou os dois peitos completamente e botou implantes no local.
Entre ricos e famosos cirurgia é o arroz com feijão de cada dia. A própria Angelina já fez várias, mudou de rosto etc. Nasceu com muito a seu favor, mas ninguém nasce perfeito. Tinha narizinho achatado, cara redondinha, uma perfeita polinésia. A busca da perfeição leva à loucura. Que é a única explicação razoável para a decisão da atriz. Seu médico topou fazer? 

Tem médico que topa qualquer coisa. Médicos de Hollywood transformaram Michael Jackson naquele monstro...

Angelina tem 37 anos e saúde perfeita. Tem 100% de chance de morrer de alguma coisa algum dia. Todos nós carregamos este e aquele gen que nos predispõem a isso e aquilo. Hoje muitos de nós têm acesso a exames que podem detectar essas doenças em seu início, e podemos tratá-las a tempo. Seria desejável que toda a humanidade tivesse acesso a medicina preventiva gratuita. Jolie, milionária, pode pagar os melhores exames e médicos do mundo. Qual a medida racional, em casos como o seu? A maioria dos especialistas recomenda mamografia e ressonância magnética anuais, simples assim. Se o câncer der sinal, dá pra matar no ninho. Jolie decidiu pelo que havia de mais agressivo e invasivo e explosivo.

Câncer de mama é o câncer mais comum entre mulheres. Como evitar? Não há garantias, mas os maiores especialistas em câncer repetem sempre as mesmas recomendações: dieta balanceada, alguma atividade física, pouco álcool, peso adequado à altura e idade, autoexame, mamografia anual. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, dos EUA, 98% dos cânceres de mama não têm nenhuma relação com mutação do gen BRCA-1. O exame para detectar o problema custa, lá, três mil dólares. Entre cinco e dez por cento dos casos são hereditários, conforme o grupo étnico (é mais comum entre mulheres nórdicas do que asiáticas, por exemplo). O resto é consequência da vida que a mulher leva. Uma mulher qualquer - você - tem em média 12% de chance de ter câncer de mama em algum momento da sua vida.

Repetem que Jolie tomou sua decisão baseada nos melhores dados científicos. Em seu artigo ela diz: "reconheço que existem muitos médicos holísticos maravilhosos trabalhando em alternativas à cirurgia." Faz parecer que a terapia normal é a mastectomia dupla preventiva, quando é uma aberração, e que as alternativas é que são o resto. E não existe medicina holística. É bruxaria, charlatanismo, e se Jolie reconhece sua eficácia, não tem a menor noção do que é ciência.

Garantem que temos que respeitar e aplaudir sua coragem, leio. Não e não. O que ela fez e escreveu pode e deve ser discutido e contestado. É figura pública, a mulher mais pública do mundo, e usou sua celebridade para influenciar a opinião das mulheres mundo afora. Quantas mulheres com a mesma mutação de Jolie não se sentirão tentadas, ou pressionadas, a seguir o seu exemplo?

Angelina Jolie não tem que ser beatificada. Como toda santa, não existe. É uma construção de relações públicas, é uma atriz. Interpretava o papel da supermulher, Lara Croft, gata valente. Hoje posa como exemplo de mulher perfeita - excelente profissional, mãe dedicada, elegância personificada, desprendimento absoluto, casamento perfeito com o homem perfeito, Brad Pitt. Ah, e agora corajosa combatente do câncer.

O tratamento não era necessário, porque Angelina não estava doente. Sua decisão foi baseada em coisa nenhuma. Sua divulgação da maluquice é péssima influência sobre as mulheres do mundo, com câncer de mama ou não. A recepção da imprensa foi escandalosamente leniente e irresponsável. 
Angelina é cretina.
 Mais idiotas são os que a tomam por heroína.

De André Forastiere via R7 - 16 de maio
http://www.cebes.org.br/default.asp


domingo, 12 de maio de 2013

Céu e Terra




Céu ou Terra...

Estava pensando em como somos moldados a achar que temos sempre que escolher entre uma coisa e outra... entre o ser e o ter... entre o bem e o mal... entre o céu e a terra... e entre tantos outros pares de opostos que nos levam a ficar em uma interminável gangorra... hora vamos mais para um lado, hora para o outro... e se vamos para o lado de algo que acreditamos ser ruim, logo somos inundados por sentimentos de culpa... que acabam trazendo grande sofrimento.

Quem nunca... depois de alcançar um objetivo que queria muito, que trabalhou para que aquilo acontecesse, sentiu um medo de que algo pudesse dar errado, um frio na barriga, já imaginando que algo iria acontecer e atrapalhar aquele momento... Quem nunca se sentiu de alguma forma culpado por estar vivendo coisas boas... Sei que isso pode parecer estranho, quando olhamos assim de frente, mas é muito mais comum do que imaginamos...

Quem nunca se sentiu culpado por usufruir das coisas da Terra?

O conceito do que é bom e do que é ruim varia para cada um de nós de acordo com nossas crenças... se moramos em determinado país, se somos de determinada religião e mais não sei quantas outras variantes que formam uma infindável lista de coisas consideradas boas e aceitáveis... e outras consideradas ruins e inaceitáveis. Isso sem levar em conta outras vidas, onde tínhamos outras crenças e outros conceitos... Só que, essas crenças de outras vidas, não acabam com ela... e assim acumulamos crenças que brigam entre si o tempo todo... e atraímos para nossa realidade situações que espelham essas brigas interiores. Temos a mania do oito ou oitenta e nunca percebemos que entre eles existem uma infinidade de pontos... Não somos muito maleáveis nisso... ou é bom ou é ruim...e o ruim muitas vezes é baseado em memórias inconscientes de pecado... de culpa que são muito fortes.

Uma das coisas que mais causam culpa é a religião... e não só aquela que nos fala que já nascemos culpados, mas todas as religiões que nos fazem crer que as coisas ditas humanas são pecado, ou não são tão boas quanto as coisas ditas divinas.

A culpa é muito ruim em qualquer situação, mas em situações onde os motivos de nos sentirmos culpados veem crenças nada verdadeiras, ligadas a dogmas religiosos inexplicáveis... por coisas que não fizemos... isso aí já é duro de aguentar...

Quase sempre nos fazem crer que precisamos alcançar um estado elevado que não tem a ver com as coisas da Terra e isso acaba gerando em nós a certeza que o estado em que nos encontramos hoje não é o ideal... Sei que é da nossa natureza buscar evoluir e alcançar a Iluminação... estados mais elevados de consciência... mas... ontem, estava pensando em como a forma que as coisas nesses caminhos, muitas vezes, nos são passadas, acabam criando uma oposição equivocada entre Céu e Terra, como se o Céu fosse o ideal a ser alcançado e a Terra o obstáculo a ser superado... o que deixa uma culpa relacionada às coisas da Terra e do nosso corpo...

Quantas pessoas vivem o que é da sua natureza humana, mas que, por ser considerado pecado na religião da qual fazem parte, vivem culpadas sem poder usufruir da vida, simples e naturalmente.

E culpa gera autopunição que vem com inúmeras maneiras de autossabotagem e sofrimento..

Nunca vi ninguém se sentir culpado por rezar e se dedicar as coisas do Céu, mas já vi muita gente se sentir culpada por se dedicar ao corpo e às coisas da Terra...

Para algumas religiões, ainda tempos que abrir mão das coisas terrenas... e nem precisamos buscar muito para encontrar religiões que pregam que, para alcançar o reino dos Céus, precisamos abrir mão das coisas da Terra...

Se pensamos que estamos isentos disso porque não pertencemos a essa ou aquela religião e, mesmo que não tenhamos religião nenhuma e nem acreditemos nisso conscientemente, nossas crenças inconscientes continuam atuando, levando-nos a sentir culpa onde ela não existe... aliás, culpa não deveria mesmo existir... que coisa mais absurda essa tal de culpa...

Enquanto não nos aceitarmos por inteiro, vamos continuar brigando com nossa natureza o tempo todo... E quem ganha com essa briga, da gente com a gente mesmo, são aqueles que interessam em tirar nosso poder pessoal, para sermos mais facilmente controlados...

Sem sacrifícios baseados em crenças equivocadas é que vamos usufruir de uma vida humana preciosa aqui na Terra... É nesse corpo e nesse lindo planeta que vamos alcançar a plenitude do 

Ser, porque o que buscamos não está em nenhum Céu imaginário... o que buscamos pulsa o tempo todo dentro de cada um de nós...

É vivendo o simples que se chega ao Amor que está sempre presente... sempre no Aqui e Agora...
É através da aceitação do nosso corpo e da nossa Terra que vamos chegar ao tão sonhado Céu que, na verdade, já está disponível a cada um que se arrisca a ir além da dualidade onde você não tem que escolher entre isso ou aquilo... Você É...
Entre o Céu e a Terra... escolha a União