sexta-feira, 17 de maio de 2013

Angelina Jolie: a heroína cretina



De Jovem, Angelina Jolie se cortava com navalhas e chafurdava em drogas. Adulta, paga picaretas para anestesiá-la e cortá-la com bisturis. Estrela, em uma década se transmutou de anabólica Mulher Maravilha em Mater Dolorosa. Se arrasta esquálida por tapetes vermelhos e aeroportos, carregando a pobre humanidade, versão multicor de chupeta, embaixatriz da ONU, metade do casal mais famoso do mundo.

Decidiu realizar uma dupla mastectomia preventiva. Explicou os porquês em um artigo para o New York Times. Não existem porquês. Tirar as duas mamas saudáveis é loucura varrida. O texto rescende a sensatez. É macabro. Ela diz que revelou o segredo para inspirar outras mulheres. É irresponsável. O New York Times se rebaixa a pasquim, publicando o texto. Que, como tudo em Hollywood, parece produto de especialistas em relações públicas. E é. Mesmo que o press release seja mesmo de autoria de Jolie.

Angelina conta que carrega mutações no gen BRCA1, que a predispõe ao câncer de mama e ovário. Explica que médicos deram 87% de chance de ter câncer de mama, e 50% de câncer no ovário, em algum momento de sua vida. Um câncer de ovário matou sua mãe, que tinha a mesma tendência genética, aos 56 anos. Para diminuir radicalmente seu risco de ter câncer, 

Angelina tirou os dois peitos completamente e botou implantes no local.
Entre ricos e famosos cirurgia é o arroz com feijão de cada dia. A própria Angelina já fez várias, mudou de rosto etc. Nasceu com muito a seu favor, mas ninguém nasce perfeito. Tinha narizinho achatado, cara redondinha, uma perfeita polinésia. A busca da perfeição leva à loucura. Que é a única explicação razoável para a decisão da atriz. Seu médico topou fazer? 

Tem médico que topa qualquer coisa. Médicos de Hollywood transformaram Michael Jackson naquele monstro...

Angelina tem 37 anos e saúde perfeita. Tem 100% de chance de morrer de alguma coisa algum dia. Todos nós carregamos este e aquele gen que nos predispõem a isso e aquilo. Hoje muitos de nós têm acesso a exames que podem detectar essas doenças em seu início, e podemos tratá-las a tempo. Seria desejável que toda a humanidade tivesse acesso a medicina preventiva gratuita. Jolie, milionária, pode pagar os melhores exames e médicos do mundo. Qual a medida racional, em casos como o seu? A maioria dos especialistas recomenda mamografia e ressonância magnética anuais, simples assim. Se o câncer der sinal, dá pra matar no ninho. Jolie decidiu pelo que havia de mais agressivo e invasivo e explosivo.

Câncer de mama é o câncer mais comum entre mulheres. Como evitar? Não há garantias, mas os maiores especialistas em câncer repetem sempre as mesmas recomendações: dieta balanceada, alguma atividade física, pouco álcool, peso adequado à altura e idade, autoexame, mamografia anual. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, dos EUA, 98% dos cânceres de mama não têm nenhuma relação com mutação do gen BRCA-1. O exame para detectar o problema custa, lá, três mil dólares. Entre cinco e dez por cento dos casos são hereditários, conforme o grupo étnico (é mais comum entre mulheres nórdicas do que asiáticas, por exemplo). O resto é consequência da vida que a mulher leva. Uma mulher qualquer - você - tem em média 12% de chance de ter câncer de mama em algum momento da sua vida.

Repetem que Jolie tomou sua decisão baseada nos melhores dados científicos. Em seu artigo ela diz: "reconheço que existem muitos médicos holísticos maravilhosos trabalhando em alternativas à cirurgia." Faz parecer que a terapia normal é a mastectomia dupla preventiva, quando é uma aberração, e que as alternativas é que são o resto. E não existe medicina holística. É bruxaria, charlatanismo, e se Jolie reconhece sua eficácia, não tem a menor noção do que é ciência.

Garantem que temos que respeitar e aplaudir sua coragem, leio. Não e não. O que ela fez e escreveu pode e deve ser discutido e contestado. É figura pública, a mulher mais pública do mundo, e usou sua celebridade para influenciar a opinião das mulheres mundo afora. Quantas mulheres com a mesma mutação de Jolie não se sentirão tentadas, ou pressionadas, a seguir o seu exemplo?

Angelina Jolie não tem que ser beatificada. Como toda santa, não existe. É uma construção de relações públicas, é uma atriz. Interpretava o papel da supermulher, Lara Croft, gata valente. Hoje posa como exemplo de mulher perfeita - excelente profissional, mãe dedicada, elegância personificada, desprendimento absoluto, casamento perfeito com o homem perfeito, Brad Pitt. Ah, e agora corajosa combatente do câncer.

O tratamento não era necessário, porque Angelina não estava doente. Sua decisão foi baseada em coisa nenhuma. Sua divulgação da maluquice é péssima influência sobre as mulheres do mundo, com câncer de mama ou não. A recepção da imprensa foi escandalosamente leniente e irresponsável. 
Angelina é cretina.
 Mais idiotas são os que a tomam por heroína.

De André Forastiere via R7 - 16 de maio
http://www.cebes.org.br/default.asp


domingo, 12 de maio de 2013

Céu e Terra




Céu ou Terra...

Estava pensando em como somos moldados a achar que temos sempre que escolher entre uma coisa e outra... entre o ser e o ter... entre o bem e o mal... entre o céu e a terra... e entre tantos outros pares de opostos que nos levam a ficar em uma interminável gangorra... hora vamos mais para um lado, hora para o outro... e se vamos para o lado de algo que acreditamos ser ruim, logo somos inundados por sentimentos de culpa... que acabam trazendo grande sofrimento.

Quem nunca... depois de alcançar um objetivo que queria muito, que trabalhou para que aquilo acontecesse, sentiu um medo de que algo pudesse dar errado, um frio na barriga, já imaginando que algo iria acontecer e atrapalhar aquele momento... Quem nunca se sentiu de alguma forma culpado por estar vivendo coisas boas... Sei que isso pode parecer estranho, quando olhamos assim de frente, mas é muito mais comum do que imaginamos...

Quem nunca se sentiu culpado por usufruir das coisas da Terra?

O conceito do que é bom e do que é ruim varia para cada um de nós de acordo com nossas crenças... se moramos em determinado país, se somos de determinada religião e mais não sei quantas outras variantes que formam uma infindável lista de coisas consideradas boas e aceitáveis... e outras consideradas ruins e inaceitáveis. Isso sem levar em conta outras vidas, onde tínhamos outras crenças e outros conceitos... Só que, essas crenças de outras vidas, não acabam com ela... e assim acumulamos crenças que brigam entre si o tempo todo... e atraímos para nossa realidade situações que espelham essas brigas interiores. Temos a mania do oito ou oitenta e nunca percebemos que entre eles existem uma infinidade de pontos... Não somos muito maleáveis nisso... ou é bom ou é ruim...e o ruim muitas vezes é baseado em memórias inconscientes de pecado... de culpa que são muito fortes.

Uma das coisas que mais causam culpa é a religião... e não só aquela que nos fala que já nascemos culpados, mas todas as religiões que nos fazem crer que as coisas ditas humanas são pecado, ou não são tão boas quanto as coisas ditas divinas.

A culpa é muito ruim em qualquer situação, mas em situações onde os motivos de nos sentirmos culpados veem crenças nada verdadeiras, ligadas a dogmas religiosos inexplicáveis... por coisas que não fizemos... isso aí já é duro de aguentar...

Quase sempre nos fazem crer que precisamos alcançar um estado elevado que não tem a ver com as coisas da Terra e isso acaba gerando em nós a certeza que o estado em que nos encontramos hoje não é o ideal... Sei que é da nossa natureza buscar evoluir e alcançar a Iluminação... estados mais elevados de consciência... mas... ontem, estava pensando em como a forma que as coisas nesses caminhos, muitas vezes, nos são passadas, acabam criando uma oposição equivocada entre Céu e Terra, como se o Céu fosse o ideal a ser alcançado e a Terra o obstáculo a ser superado... o que deixa uma culpa relacionada às coisas da Terra e do nosso corpo...

Quantas pessoas vivem o que é da sua natureza humana, mas que, por ser considerado pecado na religião da qual fazem parte, vivem culpadas sem poder usufruir da vida, simples e naturalmente.

E culpa gera autopunição que vem com inúmeras maneiras de autossabotagem e sofrimento..

Nunca vi ninguém se sentir culpado por rezar e se dedicar as coisas do Céu, mas já vi muita gente se sentir culpada por se dedicar ao corpo e às coisas da Terra...

Para algumas religiões, ainda tempos que abrir mão das coisas terrenas... e nem precisamos buscar muito para encontrar religiões que pregam que, para alcançar o reino dos Céus, precisamos abrir mão das coisas da Terra...

Se pensamos que estamos isentos disso porque não pertencemos a essa ou aquela religião e, mesmo que não tenhamos religião nenhuma e nem acreditemos nisso conscientemente, nossas crenças inconscientes continuam atuando, levando-nos a sentir culpa onde ela não existe... aliás, culpa não deveria mesmo existir... que coisa mais absurda essa tal de culpa...

Enquanto não nos aceitarmos por inteiro, vamos continuar brigando com nossa natureza o tempo todo... E quem ganha com essa briga, da gente com a gente mesmo, são aqueles que interessam em tirar nosso poder pessoal, para sermos mais facilmente controlados...

Sem sacrifícios baseados em crenças equivocadas é que vamos usufruir de uma vida humana preciosa aqui na Terra... É nesse corpo e nesse lindo planeta que vamos alcançar a plenitude do 

Ser, porque o que buscamos não está em nenhum Céu imaginário... o que buscamos pulsa o tempo todo dentro de cada um de nós...

É vivendo o simples que se chega ao Amor que está sempre presente... sempre no Aqui e Agora...
É através da aceitação do nosso corpo e da nossa Terra que vamos chegar ao tão sonhado Céu que, na verdade, já está disponível a cada um que se arrisca a ir além da dualidade onde você não tem que escolher entre isso ou aquilo... Você É...
Entre o Céu e a Terra... escolha a União

domingo, 2 de setembro de 2012

Recado dos Irmãos da Natureza
:: Wagner Borges ::
Eis aqui um recado dos espíritos da natureza para aquelas pessoas tristes por causa de um fracasso amoroso:

1. ESPÍRITO DO FOGO:
"Por que os ecos do passado ainda te atormentam?
Não percebeste a passagem do irmão Tempo em tua vida?
Acende o fogo do discernimento em tua alma e queima os detritos de tuas antigas paixões. Elas são apenas sombras de experiências anteriores".

2. ESPÍRITO DA ÁGUA:
"Queres lavar a dor de tua alma?
Não compreendo teu sofrimento.
O que passou, passou, não volta mais.
Usa a água da maturidade e lava as feridas emocionais".

3. ESPÍRITO DA TERRA:
"Tua tristeza me aborrece!
Gosto de coisas firmes, bem estabelecidas.
Porém, tu pareces mais um creme de emoções mal-resolvidas.
Onde está tua consistência?
E tudo isso só por causa de um fracasso amoroso?
Ora, meu amigo(a), o passado já era!
Remoer o que já foi é perda de tempo.
Assume o comando do teu coração e toca a vida".

4. ESPÍRITO DO VENTO:
"Por minha ação natural, sou só movimento.
Quando chego, nada fica parado.
Acho estranho tu quereres ficar parado lá atrás, quando a Natureza quer levar-te à frente, sempre deslizando pela caminhada evolutiva.
Se não quiseres seguir, posso providenciar um furacão em tua vida e forçar-te mudança providencial".

5. ESPÍRITO DA ENERGIA:
"Espanta-me ver um ser humano, supostamente inteligente, preso ao passado.
Nem álcool, droga, cigarro ou terapia resolverá teu caso.
Por isso, convoquei o irmão Tempo.
Daqui a pouco ele virá ter contigo.
Ele solucionará teu problema, pois o que a Natureza não faz, o tempo acerta!"

(Texto extraído do livro "Falando de Espiritualidade" - Editora Pensamento.)

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Importância do café com amigas
Palestra de Chefe de Psiquiatria da Universidade Stanford

A Relação entre o Corpo e a Alma, Stress e Desconforto Físico

No final de uma palestra o palestrante apontou, entre outras coisas, que os estudos mostram que uma das melhores coisas que um homem pode fazer por sua saúde é se casar com uma mulher. O casamento aumenta a longevidade e o bem-estar pessoal do homem.
E sobre a mulher? O palestrante apontou dado surpreendente - a mulher, por sua saúde, precisa cultivar seus relacionamentos com suas amigas!
No início, essa declaração provocou risos na platéia, mas o professor falou muito a sério. Estudos realizados mostram que as mulheres se conectam de maneira diferente dos homens e fornecem outros sistemas de apoio que as ajudam a lidar com experiências estressantes e difíceis em suas vidas. "Tempo de Amigas" é muito significativo no nível fisiológico, ajuda a produzir mais serotonina (um neurotransmissor) que auxilia no combate à depressão e cria um sentimento geral de bem-estar e um sentimento positivo.
As mulheres tendem a compartilhar seus sentimentos, enquanto os homens geralmente se conectam em torno de tarefas. Eles raramente se sentam com um amigo falando sobre como se sentem sobre algo, ou como está sua vida pessoal. Trabalho? Sim! Esportes? Sim!, Carros? Sim! Mas os seus sentimentos? Apenas raramente.
As mulheres fazem isso o tempo todo. Eles compartilham sentimentos e emoções das profundezas de suas almas com suas amigas, e parece que isso realmente contribui para a sua própria saúde.
Conferencista acrescentou, sublinhando que o tempo gasto com amigas é tão importante para a saúde das mulheres como correr ou trabalhar no ginásio. De fato, há uma tendência a se pensar que é quando nos envolvemos com alguma atividade física que estamos fazendo algo de bom para o nosso corpo, enquanto que quando falamos com as nossas amigas, nós "desperdiçamos" o tempo em vez de fazer algo mais produtivo. Então, provavelmente, isso não é verdade.
Na verdade, o orador salientou que não criar e manter relacionamentos de qualidade com outras pessoas prejudica a nossa saúde física, "pelo menos, como o fumo! "
Portanto, cada vez que nós (as mulheres, é claro) sentamos para conversar com uma amiga, é importante congratular-nos de que estamos fazendo algo benéfico para a nossa saúde. Na verdade, nós somos sortudas! Nossa amizade é muito essencial para nossa saúde!
Tim-Tim ao café com as minhas amigas!

 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Consciência Universal

Consciência Universal. A única liberdade

Gostaria que fosse tarefa simples transmitir aquilo que me é intuído, mas não é bem assim. A limitação maior sou eu, um aprendiz, ainda iniciando a caminhada sem fim rumo à expansão da Consciência, tateando em busca da Luz, lutando para deixar para trás, dia após dia, conceitos e crenças obsoletos e inúteis, mas que, por terem ficado por tanto tempo impregnados em minha Alma, teimam em aflorar quando -descuidado-, abro a guarda. Pois é, em poucos segundos, em situações de estresse ou perigo, somos capazes de perder a harmonia e a paz interior que nos governavam. Desta forma, a conexão suave e serena com A Fonte é interrompida, a linha apresenta ruídos tão fortes que somente podemos contar com nosso pequeno eu, e este fato nos recoloca em vibrações grosseiras e nos deixa como que órfãos, separados da nossa própria divindade. Encontrei este trecho nas Cartas que vem ao caso e que, com sabedoria, também fornece uma solução bem simples e prática:

"O que você está fazendo para a sua família, o seu lar e o seu ambiente? Você é ranzinza, resmungão, tem pensamentos destrutivos em relação ao seu trabalho e aos demais? Então, esteja certo de que está deixando um pequeno rastro de consciência destrutiva atrás de si, que ajudará a corroer tudo o que ela penetrar e impregnar.
Se você se concentrar no desejo de amar, de aceitar, de trabalhar com alegria no coração, então, não importa onde estiver, estará derramando uma consciência de força, bênção e crescimento".

Duas polaridades distintas para a livre-escolha do mesmo ser humano. Um simples ato da vontade nos colocará no Céu... ou no inferno. Sim, um conceito extraordinário: somos os únicos donos de nosso destino, os únicos responsáveis por tudo que nos acontece; seja bom ou não. Isso nos dá poder infinito e nos coloca no mesmo nível de todos... qualquer que seja nossa atividade, não é menos importante daquela exercida pelo presidente da República, ou pela mais alta autoridade do Estado. Esta realidade nos permite trilhar de forma direta, sem controle externo, nossa missão de vida individual, contribuindo com o Universo de forma correta em seu projeto evolutivo. Não mais será obrigatório seguir falsos líderes se ouvirmos -livres de ruídos-, nossa consciência, nosso centro e contarmos com aquela fé inabalável que vem quando estamos livres de amarras, isentos de crenças e de dogmas.
Perfeitas estas palavras do Cristo:

"Disse às pessoas que olhassem à sua volta, para o campo, para os morros onde pastavam pacificamente as ovelhas e cabras, para os lagos cheios de peixes, para as aves voando no ar, pousando e fazendo seus ninhos nas árvores, e para as flores tão esplendidamente vestidas de muitas cores. Disse: "Olhem e compreendam o que veem. Estão vendo um mundo onde cada coisa tem sua necessidade e todas as necessidades são satisfeitas. Como podem duvidar ao ver as ovelhas vivendo apenas do pasto? O quê tem o pasto que alimenta a pele, os ossos, o sangue e a carne e produz as crias? Não estão testemunhando uma maravilha de suprimento? Olhem as necessidades dos pássaros, que são maravilhosamente providos do que precisam. Eles têm refúgio nas árvores e sementes para se fortalecer. Quanto às pessoas, que têm necessidade de abrigo, alimento e vestimenta, o "Pai" deu a elas o mundo inteiro com o qual podem satisfazer suas necessidades. (...) É a sua falta de fé que rouba a energia do fluxo n atural do "Pai - Amor" em seus corpos, seus relacionamentos e em sua vida.

Como é grande o conforto, o alívio que sentimos quando o que lemos nas Cartas bate profundamente com aquilo que está gravado em nossa Alma! É um respirar fundo, exalando aquela energia renovada que nos projeta, a cada parágrafo, para cima e para a frente, passando-nos firmeza e esperança, que por sua vez constroem, com bases sólidas, coragem e determinação renovadas. Como é difícil derrubar conceitos -ainda que falsos, mesquinhos e absurdos-, que absorvemos desde a infância, quando nada podíamos fazer para nos proteger deles! Creio que o "Orai e vigiai", tão alardeado, tenha a ver com este aspecto de abuso que sofremos e que inconscientemente ainda nos machuca... "Orai" poderia ser considerado como se inspirar na Fonte, fazer a conexão; "Vigiai" teria a ver com observar tudo com a Consciência desperta, atenta, não mais escrava. Ligados na Luz, sempre. E este trecho da carta 4 vem a calhar direitinho com o assunto, confira as palavras do Mestre:

"Gostaria de poder mostrar a vocês como são importantes a cada segundo do dia, em seu lar, em seu trabalho e em seu país! Anseio por ajudar vocês a ver como seus pensamentos estão na origem de tudo o que acontece de bem e mal. Eles são a própria origem de seu bem e de seu mal. Se algum mal ocorrer a vocês, não olhem para o vizinho para ver de onde veio -olhem dentro de seu próprio coração e vejam quando foi a última vez que se desentenderam com alguém de maneira destrutiva-, por calúnia, falsificação da verdade, rejeição ou crítica. Esse foi o momento do nascimento de sua infelicidade no presente!"

E, finalmente, a Unidade, o Todo que está em tudo.
É fácil: vivendo na simplicidade, na humildade, na compaixão, é inevitável perceber que somos um só. Um com o Universo, com nosso vizinho, com Deus Pai/Mãe, com a Natureza e com seus elementos. Não há mais separação, não existem mais divisão, castas, status social, raças. Acabou.
E abrem-se as portas do Reino dos Céus aqui na Terra. O sofrimento, a tristeza, a agressão, o conflito, a injustiça, a fome, a solidão, o medo e a angústia cessam para sempre. E a tal de morte, aquele pulo interdimensional, finalmente compreendida, desmistificada, até que enfim, vira companheira de jornada, presença natural, amiga íntima de longa data, desde aquele dia em que vimos a luz pela primeira vez.
Perceba a essência destas palavras canalizadas por Ele:

"Digo, sem temor de contradição, que se você vive dentro da proteção do "Pai - a Consciência Divina" porque irradia boa vontade e amor para todo mundo em sua vida e em seu país, inclusive para os chamados inimigos, nunca será atacado, nunca conhecerá a tristeza, nunca estará sujeito a nenhuma indisposição ou desgraça que a consciência humana cria. Você estará envolvido num manto de Luz e Amor e a Consciência Divina fluirá dentro de sua mente, seu corpo e sua vida. Pode ser que as pessoas ao seu redor fiquem doentes, caiam derrubadas por um ataque, ou se "afoguem" angustiadas pelo pânico, mas você caminhará pela mesma estrada, consciente de que ninguém tem o menor poder humano contra O PODER - A FONTE de seu SER, a qual deu seu próprio ser e vida na Terra.
(...) Também estarão contentes por aceitar que a Consciência Divina chamada por qualquer outro nome - Deus, Jeová, o Absoluto, o Infinito, Alá - sempre permanece sendo a Consciência Divina universal que tudo penetra, apesar de todos os diferentes nomes usados por várias nações. Eles terão alcançado aquele nível de despertar espiritual no qual podem perceber que por trás de toda etnia, língua, crença e ações de qualquer espécie, todos os povos - toda a criação em si - é una nas raízes de seu ser. O homem e a formiga compartilham as mesmas origens no equilíbrio da CONSCIÊNCIA UNIVERSAL. ESTA É A VERDADEIRA LIBERDADE. A única liberdade".
Namastê (O Deus que É em mim saúda o Deus que É em Você).

quarta-feira, 28 de março de 2012

Descomplicar e...

Se eu tivesse que escolher uma palavra
- apenas uma -
para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje,
essa palavra seria um verbo de quatro sílabas:
descomplicar.
Depois de infinitas (e imensas) conquistas,
acho que está passando da hora de aprendermos
a viver com mais leveza:
exigir menos dos outros e de nós próprias,
cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa,
olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão
falada qualidade de vida que queremos – e merecemos – ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial
da mulher moderna.
Amizade, por exemplo.
Acostumadas a concentrar nossos
sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas,
acabamos deixando as amigas em segundo plano.

E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher
quanto a convivência com as amigas.
Ir ao cinema com elas
(que gostam dos mesmos filmes que a gente),
sair sem ter hora para voltar,
compartilhar uma caipivodca de morango
e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes
- isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa,
prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez
(desligue o celular, se for preciso)
e desfrute os prazeres que só uma
boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário
duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino:
pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos,
três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia
- não importa -
e a ficar em silêncio.

Essas pausas silenciosas nos permitem refletir,
contar até 100 antes de uma decisão importante,
entender melhor os próprios sentimentos,
reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.
Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão
de uma mulher mal-humorada.
Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas
do nosso dia a dia.
Se for preciso, pegue uma comédia na locadora,
preste atenção na conversa de duas crianças,
marque um encontro com aquela amiga engraçada
- faça qualquer coisa, mas ria.
O riso nos salva de nós mesmas,
cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado:
mulheres que falam em regime o tempo
todo costumam ser péssimas companhias.

Deixe para discutir carboidratos
e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista.
Nas mesas de restaurantes, nem pensar.

Se for para ficar contando calorias,
descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa
do companheiro de mesa com reprovação e inveja,
melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface
e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão?
Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que,
essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia:
gentileza.

Ter classe não é usar roupas de grife:
é ser delicada. Ter respeito pelos outros.
Não ofender as pessoas com atitudes indelicadas.
Ter tolerância e não ser mal educada.
Saber se comportar
é infinitamente mais importante do que saber se vestir.

Resgate aquele velho exercício que anda esquecido:
aprenda a se colocar no lugar do outro,
e trate-o como você gostaria de ser tratada,
seja no trânsito, na fila do banco,
na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado,
na academia.
E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser
indissociáveis da vida:
sonhar e recomeçar.

Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia,
o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia,
aquele homem que um dia (quem sabe?)
ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere...
sonhar é quase fazer acontecer.
Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso:
seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares.
A vida nos dá um espaço de manobra:
use-o para reinventar a si mesma.

E, por último
(agora, sim, encerrando),
risque do seu Aurélio a palavra perfeição.

O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades,
inseguranças, limites.

Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita,
a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo,
a esposa nota mil.
Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas
sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam,
bumbum que encara qualquer biquíni.
Mulheres reais são mulheres imperfeitas.
E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.
Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de
peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas),
a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Leila Ferreira

quarta-feira, 7 de março de 2012

O namoro de Chico Buarque

O namoro do Chico Buarque com a cantora ruiva Thais Gulin rendeu para nós este primor de blues ESSA PEQUENA, cuja letra vai aí abaixo. Mas rendeu também a interessante crônica UM TEMPO SEM NOME da escritora Rosiska Darcy de Oliveira sobre “o novo conceito de envelhecer”. Também segue abaixo.


http://youtu.be/ZRLayH21Gnk

Essa Pequena
Chico Buarque

Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela
Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la
Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena

Um tempo sem nome
Rosiska Darcy de Oliveira, O Globo, 21/01/12

Com seu cabelo cinza, rugas novas e os mesmos olhos verdes, cantando madrigais para a moça do cabelo cor de abóbora, Chico Buarque de Holanda vai bater de frente com as patrulhas do senso comum. Elas torcem o nariz para mais essa audácia do trovador. O casal cinza e cor de abóbora segue seu caminho e tomara que ele continue cantando “eu sou tão feliz com ela” sem encontrar resposta ao “que será que dá dentro da gente que não devia”.

Afinal, é o olhar estrangeiro que nos faz estrangeiros a nós mesmos e cria os interditos que balizam o que supostamente é ou deixa de ser adequado a uma faixa etária. O olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas. É ele que mina a autoimagem, que nos constitui como velhos, desconhece e, de certa forma, proíbe a verdade de um corpo sujeito à impiedade dos anos sem que envelheça o alumbramento diante da vida .

Proust, que de gente entendia como ninguém, descreve o envelhecer como o mais abstrato dos sentimentos humanos. O príncipe Fabrizio Salinas, o Leopardo criado por Tommasi di Lampedusa, não ouvia o barulho dos grãos de areia que escorrem na ampulheta. Não fora o entorno e seus espelhos, netos que nascem, amigos que morrem, não fosse o tempo “um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho“, segundo Caetano, quem, por si mesmo, se perceberia envelhecer? Morreríamos nos acreditando jovens como sempre fomos.

A vida sobrepõe uma série de experiências que não se anulam, ao contrário, se mesclam e compõem uma identidade. O idoso não anula dentro de si a criança e o adolescente, todos reais e atuais, fantasmas saudosos de um corpo que os acolhia, hoje inquilinos de uma pele em que não se reconhecem. E, se é verdade que o envelhecer é um fato e uma foto, é também verdade que quem não se reconhece na foto, se reconhece na memória e no frescor das emoções que persistem. É assim que, vulcânica, a adolescência pode brotar em um homem ou uma mulher de meia-idade, fazendo projetos que mal cabem em uma vida inteira.

Essa doce liberdade de se reinventar a cada dia poderia prescindir do esforço patético de camuflar com cirurgias e botoxes — obras na casa demolida — a inexorável escultura do tempo. O medo pânico de envelhecer, que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma vendedora de cosméticos a mulher mais rica do mundo, se explica justamente pela depreciação cultural e social que o avançar na idade provoca.

Ninguém quer parecer idoso, já que ser idoso está associado a uma sequência de perdas que começam com a da beleza e a da saúde. Verdadeira até então, essa depreciação vai sendo desmentida por uma saudável evolução das mentalidades: a velhice não é mais o que era antes. Nem é mais quando era antes. Os dois ritos de passagem que a anunciavam, o fim do trabalho e da libido, estão, ambos, perdendo autoridade. Quem se aposenta continua a viver em um mundo irreconhecível que propõe novos interesses e atividades. A curiosidade se aguça na medida em que se é desafiado por bem mais que o tradicional choque de gerações com seus conflitos e desentendimentos. Uma verdadeira mudança de era nos leva de roldão, oferecendo-nos ao mesmo tempo o privilégio e o susto de dela participar.

A libido, seja por uma maior liberalização dos costumes, seja por progressos da medicina, reclama seus direitos na terceira idade com uma naturalidade que em outros tempos já foi chamada de despudor. Esmaece a fronteira entre as fases da vida. É o conceito de velhice que envelhece. Envelhecer como sinônimo de decadência deixou de ser uma profecia que se autorrealiza. Sem, no entanto, impedir a lucidez sobre o desfecho.

”Meu tempo é curto e o tempo dela sobra”, lamenta-se o trovador, que não ignora a traição que nosso corpo nos reserva. Nosso melhor amigo, que conhecemos melhor que nossa própria alma, companheiro dos maiores prazeres, um dia nos trairá, adverte o imperador Adriano em suas memórias escritas por Marguerite Yourcenar.

Todos os corpos são traidores. Essa traição, incontornável, que não é segredo para ninguém, não justifica transformar nossos dias em sala de espera, espectadores conformados e passivos da degradação das células e dos projetos de futuro, aguardando o dia da traição.

Chico, à beira dos setenta anos, criando com brilho, ora literatura , ora música, cantando um novo amor, é a quintessência desse fenômeno, um tempo da vida que não se parece em nada com o que um dia se chamou de velhice. Esse tempo ainda não encontrou seu nome. Por enquanto podemos chamá-lo apenas de vida.
ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA é escritora.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

me chamem de velha !

Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”. Pensei: “roubaram a velhice”. As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.

Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.

A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos, também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura, duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero viver a minha morte”.

Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma obviedade que não nos leva a lugar algum. Que ninguém quer morrer, todo mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso medo sem que aprendamos nada que valha a pena.

A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e, nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor. Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha última chance de ser curiosa.

Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é perder valor. Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na linguagem.

Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua. O que fazem é arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta confiná-las e esvaziá-las também no idioma.

Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera, velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele que já foi. Velho é – e está. Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.

Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar. Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos morrem porque não desistiram de viver.

Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um livro chamado “O idoso e o mar”? Não. Como idoso o pescador não lutaria com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam...”.
Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.

Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem. O tal do “espírito jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem estão falando. Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.

Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos 20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero. Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.

Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências. Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos buscar. É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.

Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo, testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto.

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Caras, bocas e bolsas

Caras,bocas e bolsas
Claudia Matarazzo

Se se deparasse com a sigla "BB" , meu amigo Ruy Castro,
certamente, pensaria que se trata da atriz Brigitte Bardot, por quem
toda uma geração suspirou na juventude.Ou de Betty Boop,
a curvilínea personagem do cinema e dos quadrinhos.Mas não.
Com "BB" refiro-me a bolsas e bocas,dupla que ajuda a identificar
uma categoria cada vez mais numerosa de mulheres, presentes
em todos os lugares, independentemente da tribo e da conta bancária.
Falo daquelas que não resistem e, já aos 30 anos, começam a
preencher os lábios para ficarem parecidas( como se fosse possível)
com a Angelina Jolie. Não ficam,mas insistem no procedimento e,
aos 40, têm uma fisionomia que mais se assemelha à de uma garoupa
do que à de qualquer diva do cinema.
Elas também ouviram falar em algum lugar que as bolsas grandes estão
na moda. E, como numa afirmação de status (quanto maiores os acessórios,
mais importante seria sua dona), usam sacolões, maxibolsas e mochilas
quase maiores do que elas.
Todas as peças devidamente enfeitadas com ferragens, muito dourado,
chaveiros escandalosos,aplicações, pele com estampa de onça ou de
zebra e celulares no bolsinho de fora.
Como essas mulheres também são ligadas demais em forma física,
frequentam religiosamente academias e clínicas estéticas.
Emagrecem além da conta e ficam com a aparência abatida.
Para tentar compensar, clareiam o cabelo (que deve ser o mais longo
e mais liso possível).
Aí, o resultado é estranhíssimo, para dizer o mínimo. Ficam com aspecto
de meninas envelhecidas,que arrastam suas superbolsas e exibem um
sorrisão artificial pelos shoppings, restaurantes e desfiles de moda.
Sei que isso parece uma crítica gratuita.Não é.
Entristece-me ver que cada vez menos as pessoas adotam um estilo
individual para se expressar, apresentar e ser.Aos poucos, o
consumismo e a comunicação em massa exterminam qualquer
manifestação de originalidade.Um exemplo?
Quase não vemos mais os cabelos cacheados de tantas brasileiras.
Hoje, se não passar chapinha,fizer alisamento “inteligente” ou uma
escova “progressiva” (ou de chocolate ou que estiver na moda),
a mulher sente-se completamente inadequada.
O mesmo acontece com a cor dos cabelos.Os castanhos profundos
e brilhantes e os negros encaracolados não são mais desejáveis.
Melhor submetê-los a uma penosa descoloração, deixá-los em tom
caju ou cor de "burro quando foge".E sem vida,mas sempre lisos.
Ok, reconheço que estou ranzinza. O que me levou a essa divagação
foi o fato de, recentemente, na sala de espera do cinema de um
shopping, perceber que, num sofá com cerca de 15 lugares,
acomodavam-se apenas quatro dessas senhoras loiras e suas megabolsas.
O restante do público esperava em pé, sem coragem de pedir licença.
Vai que uma delas abrisse aquele bocão de garoupa e resolvesse dar uma mordida?

domingo, 23 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

BiblioInforma

Você conhece a
Biblioteconomia?

A Biblioteconomia
Biblioteconomia é um campo do conhecimento que se ocupa com a organização e a administração da informação, das bibliotecas e outras unidades de informação. Apresenta-se por meio de técnicas e dispositivos que auxiliam no tratamento, coleta, organização, recuperação e interpretação de variados conteúdos e formatos de informação, visando promover o máximo de acessibilidade e uso para a geração de novos conhecimentos em qualquer área ou campo científico, tecnológico, cultural e empresarial.

O Bibliotecário
Profissional formado em Biblioteconomia, apto a lidar com a informação. Independente do espaço social, dos suportes (físico, eletrônico, virtual) ou das esferas organizacionais (governo, indústria e terceiro setor), o profissional bibliotecário pode identificar necessidades de informação, tratar, organizar, analisar, gerenciar e facilitar o uso da informação para a tomada de decisão em instituições empresariais, incentivar o aperfeiçoamento cultural, social, educacional e científico-tecnológico em instituições de ensino e pesquisa.
Para tanto, o profissional tem base em sólida formação específica, multidisciplinar (social, científica e tecnológica) e geral (comunicativa, criativa) que lhe permitem aplicar suas competências teóricas e práticas adquiridas ao longo do curso no gerenciamento da informação para o máximo de acessibilidade e uso.
Atividades Do Bibliotecário
Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), são atividades do bibliotecário:
- Analisar a informação
Avaliar, selecionar, classificar e indexar livros, documentos, fotos, partituras musicais, fitas de vídeo e de áudio e arquivos digitais.
- Tratar tecnicamente recursos informacionais
Registrar, classificar e catalogar informações no formato impresso, digital ou eletrônico, elaborar índice e vocabulários controlados que permitam a recuperação da informação, planejar e desenvolver bases de dados bibliográficas e desenvolver metodologias para geração de documentos digitais ou eletrônicos.
- Disponibilizar informação em qualquer suporte
Localizar informações, recuperar informações, prestar atendimento personalizado, elaborar estratégias de buscas de informação, prestar serviços de informação on-line e normalizar trabalhos técnico-científicos
- Gerenciar serviços de informação
Planejar, organizar e administrar unidades, redes, bibliotecas, museus, sistemas e serviços de documentação e informação localizados em centros de pesquisa, centros de documentação, arquivos pessoais e de jornais, entre outros, e centros culturais.
- Prestar consultoria e coordenação
Coordenar a formação do acervo, o arquivamento dos documentos e sua conservação em empresas, banco de dados e instituições públicas.

- Gerenciar a Informação e o conhecimento
Desenvolver e gerenciar mecanismos para sistematizar a informação e o conhecimento acumulado dentro de uma organização, seja ela uma empresa, uma ONG, uma instituição educacional ou uma associação, estimulando, assim, sua divulgação.
- Desenvolver recursos informacionais
Elaborar políticas de desenvolvimento de recursos informacionais, selecionar recursos informacionais, adquirir recursos informacionais, armazenar recursos informacionais, avaliar acervos, inventariar acervos, descartar recursos informacionais, conservar acervos, preservar acervos, desenvolver bibliotecas virtuais e digitais, desenvolver planos de conservação preventivA.
- Desenvolver estudos e pesquisas
Fazer sondagens sob demanda informacional, coletar informações para memória institucional, elaborar dossiês de informações, elaborar pesquisas temáticas, elaborar levantamento bibliográfico, acessar bases de dados e outras fontes em meios eletrônicos, realizar estudos de mensuração da informação impressa ou eletrônica, elaborar trabalhos técnico-científicos, desenvolver critérios de controle de qualidade e conteúdo de fontes de informação, analisar fluxos de informações para à tomada de decisão em qualquer organização.
- Disseminar informação
Disseminar seletivamente a informação, compilar bibliografia, elaborar clipping de informações, elaborar alerta bibliográfico e elaborar boletim bibliográfico.
- Realizar difusão cultural
Promover ação cultural, promover atividades de fomento à leitura, promover eventos culturais, promover atividades para usuários especiais, organizar atividades para a terceira idade, divulgar informações através de meios de comunicação formais e informais, organizar bibliotecas itinerantes e promover atividades infanto-juvenis.
- Desenvolver ações educativas
Capacitar o usuário, capacitar recursos humanos, elaborar serviços de apoio para educação presencial e à distância, ministrar palestras, realizar atividades de ensino e pesquisa.

Onde Trabalhar
Regulamentada por lei, a profissão de bibliotecário exige o registro no Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), tornando o bibliotecário legalmente habilitado ao exercício dos vários campos de atuação oferecidos:
- Bibliotecas, arquivos, centros de documentação, museus, editoras e livrarias: físicos, virtuais; escolares, universitários, especializados; públicos, particulares, empresariais.
- Centros culturais, religiosos, oficinas de cultura e informação, salas de leitura e de lazer, galerias de arte, brinquedotecas, gibitecas, cinematecas, midiatecas, hemerotecas, pinacotecas e videotecas.
- Empresas e instituições públicas e privadas.
- Instituições de ensino superior (Universidades, Faculdades e Centros de Ensino).
- Hospitais e centros de saúde.
- Núcleos de editoração e redação: artística, jornalística, cultural, empresarial e científica.
- Consultoria e assessoria a empresas e instituições de pesquisa.
- Apoio no desenvolvimento de sites e visualização de informação para a tomada de decisão em empresas e instituições físicas ou virtuais.
- Além do mais, se interessado, o profissional bibliotecário pode dar continuidade aos estudos em cursos de Pós-Graduação Latu Sensu (Especialização) e Strictu Sensu (Mestrado e Doutorado) em renomadas Universidades do país e do exterior, tornando-se docente universitário e pesquisador.

Mercado de Trabalho
O mercado de trabalho para o bibliotecário é dinâmico. A taxa de empregabilidade do profissional é superior a 90%, atuando principalmente no setor terciário (serviços).
A expansão de instituições de Ensino Superior e de escolas técnicas aumenta as vagas para os bibliotecários, já que esses estabelecimentos precisam organizar seus bancos e bases de dados e acervos. A necessidade das empresas de obter e utilizar a informação como ferramenta para aumentar a competitividade possibilita ao bibliotecário uma atuação mais estratégica no mercado de trabalho, independente de sua área de atuação.
O novo atrativo para o bacharel bibliotecário é a atuação na organização de conteúdo em espaços virtuais, como internet e intranet, na gestão de serviços de informação e na avaliação de conteúdos em bibliotecas digitais. As empresas privadas e públicas são as principais empregadoras.
Além do mais, em maio de 2010, foi promulgada no Brasil a Lei no. 12.244, legislação específica que regulamenta a presença de bibliotecas e bibliotecários em escolas. Por essa lei, qualquer escola, seja ela pública ou privada, deve ter obrigatoriamente biblioteca e bibliotecário para atender o número de alunos matriculados. O Conselho Federal de Biblioteconomia estima que mais de 179.000 vagas para bibliotecários sejam oferecidas somente em escolas públicas e privadas.
Indiscutivelmente, segundo recentes pesquisas desenvolvidas, há um mercado emergente no setor de serviços de informação, o que amplia a oferta de trabalho do profissional bibliotecário, tanto na iniciativa privada, quanto nas instituições públicas, que abrem concursos regulares para contratar o profissional (TABELA 1).

Tabela 1. Oportunidades de empregos para bibliotecário no período de 2006-2010.
INSTITUIÇÃO SALÁRIO
ABIN - Agência Brasileira de Inteligência R$ 10.216,12
ADECCO R$ 2.075,00 + VT + VR
Aeronáutica R$ 3.300,00
ANA - Agência Nacional das Águas R$ 8.389,60
ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil R$ 3.257,20
ANATEL R$ 8.389,60
ANCINE - Agência Nacional do Cinema R$ 9.552,00
ANEEL R$ 8.955,20
ANP - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis R$ 4.320,51
Arquivo Público do Estado da Casa Civil R$ 2.700,00
Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo 4.754,11 + Grat. R$ 1.144,10
Banco do Brasil R$ 1.650,00
BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social R$ 7.357,89
Câmara dos Deputados R$ 9.008,12
Câmara Legislativa do Distrito Federal R$ 8.086,54
Câmara Municipal de Santa Barbara D'Oeste R$ 5.137,57
CAPES R$ 2.253,94
Casa da Moeda R$ 2.006,00
Centro Tecnológico do Exército 2.419,07 + Grat. R$ 628,96
Cinemateca Brasileira R$ 2.000,00
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental R$ 2.482,00
COFEN - Conselho Federal de Enfermagem R$ 6.990,45
Comissão de Valores Mobiliários R$ 13.264,77
CONFEA - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia R$ 3.252,27
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo R$ 3.276,04
CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia RS 1.855,63
DAC R$ 4.500,00
DataPrev R$ 3.903,35
Defensoria Pública da União R$ 3.532,95
Detran R$ 1.750,00
DNIT - Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes R$ 3.800,00
Documentar Tecnologia e Informação Ltda R$ 2.500,00 + VT + VA + PS + PO
Eletrobras R$ 3.117,41
EMATER R$ 3.050,97
EMBRAPA R$ 6.333,74
ENAP - Escola Nacional de Administração Pública R$ 2.643,28 + R$ 2.500,00
Escritório de Advocacia R$ 2.000,00 + VT + VR
FGV R$ 2.057,97
FINEP - Financidadora de Estudos e Projetos R$ 5.524,66
Folha de São Paulo R$ 2.120,00
FUNASA - Fundação Nacional de Saúde R$ 2.222,72
Fundação Casa - São Paulo R$ 2.833,64
Fundação de Economia e Estatística R$ 2.500,00
Fundação Parque Zoológico de São Paulo R$ 1.974,00
Furnas Centrais Elétricas R$ 3.298,06
Grupo Santa Helena R$ 1.500,00
Hospital da Clínicas da Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo R$ 1.700,00
IBAMA R$ 2.573,86
IBGE R$ 4.000,00
IBICT R$ 2.630,58
IMESP - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo R$ 3.441,52
Instituto Brasileiro de Direito Econômico R$ 2.000,00
Instituto Butantã R$ 4.000,00
INMETRO R$ 5.274,74
IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus R$ 3.012,82
Instituto Cervantes de São Paulo U$ 30.400 (anual)
IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional R$ 3.257,22
INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos R$ 2.307,85
Instituto Nacional do Câncer R$ 2.419,07
IPEA R$ 8.501,05
IPT R$ 4.299,00
Marinha do Brasil R$ 3.894,00
Miguel Neto Advogados Associados & Advocacia Pietro Ariboni R$ 2500,00 + VT + VR (R$ 16,35 ao dia) + AM
Ministério da Cultura R$ 2.600,00 + TR
Ministério da Justiça R$ 2.643,28
Ministério da Saúde R$ 2.115,72
Ministério das Comunicações R$ 2.643,28
Ministério Público de São Paulo R$ 3.747,10
Ministério Público da União R$ 4.034,40
Organização Pan-Americana da Saúde R$ 6.068,00
Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo R$ 2.073,25
Prefeitura Municipal de Valinhos R$ 2.511,85
Ribeiro e Brito Consultores Associados LTDA (Advocacia) R$ 2.800,00 + VR + VA + SV + AM + AO + VT
SEBRAE R$ 3.296,08
Secretaria da Administração Previdenciária R$ 1.700,00
SENAI R$ 2.419,03
SERPRO - Serviço Federal de Processamento de Dados R$ 3.891,15
SESC R$ 3.447,00
SESI R$ 2.896,86
TIM Telefonia R$ 2.204,00 + VR: 17,00 + PS + PO + VT.
Transpetro R$ 2.640,05
Tribunal de Contas da União R$ 6.629,46 a R$ 7.327,76
TRF R$ 5.484,08
Tribunal Superior Eleitoral R$ 4.034,63
Universidades Públicas (UNB, UFPE, UFRGS, UES, UFRPE, IFSP, UNIR, UFF, UFAL, UNIFESP, entre outras) R$ 2.989,33
UNESP R$2.914,11
UNICAMP R$ 3.165,48
UFC R$ 3.293,33
USP R$ 3.747,10
Universidade Anhembi/Morumbi R$ 4.500,00
Fonte: Ofaj (www.ofaj.com.br). Acesso em: 05.05.2011.

Finalmente, há grande oferta de vagas na Região Metropolitana de Campinas (RMC), com ótimos salários e falta (escassez) de profissionais no mercado de trabalho.

Dia do Bibliotecário
No Brasil, o Dia do Bibliotecário - dia 12 de Março, data do nascimento do bibliotecário, escritor e poeta, Manuel Bastos Tigre - foi instituído pelo Decreto no. 84.631, de 12 de abril de 1980.
Engenheiro e bibliotecário por vocação, Manuel Bastos Tigre nasceu em 1882. Formou-se em Engenharia, em 1906 e resolveu fazer aperfeiçoamento em eletricidade, nos Estados Unidos. Uma vez lá, conheceu o bibliotecário Melvil Dewey, que instituiu o Sistema de Classificação Decimal.
Esse encontro foi decisivo na sua vida, porque, em 1915, aos 33 anos de idade, deixou a engenharia para trabalhar com Biblioteconomia.
Considerado o primeiro bibliotecário concursado do Brasil, prestou concurso para ingressar no Museu Nacional do Rio de Janeiro como bibliotecário. Transferido, em 1945, para a Biblioteca Nacional, onde ficou até 1947, assumiu depois a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil, na qual trabalhou, mesmo depois de aposentado, ao lado do Reitor da instituição, Professor Pedro Calmon de Sá.
Manuel Bastos Tigre trouxe grande contribuição social e cultural para o Brasil, por isso, nada melhor do que a data de seu nascimento para celebrar o dia daqueles que têm como objetivo disseminar informação e o conhecimento a fim promover o desenvolvimento cultural e social de uma comunidade.

Bibliotecário está entre as 30 melhores profissões nos EUA
The Wall Street Journal, de Nova Iorque, publicou no início do ano de 2011 a pesquisa do site de profissões CareerCast listando um ranking com 200 postos de trabalho, com base no rendimento, ambiente de trabalho, estresse, esforço físico e perspectivas de trabalho, usando dados do Departamento do Trabalho e do Censo dos Estados Unidos.
A profissão de bibliotecário, que segundo o site é o profissional que seleciona e organiza materiais para tornar as informações acessíveis ao público, ficou no 29º lugar, com uma renda mensal que equivale a R$ 7.560,00.
Veja o ranking completo em: http://www.careercast.com/jobs-rated/2011-ranking-200-jobs-best-worst

A Biblioteconomia no Brasil
A Biblioteconomia, como área do conhecimento, passou a existir, no Brasil, a partir de 1911, com a criação do primeiro Curso de Biblioteconomia do Brasil, primeiro também da América do Sul e 3º no mundo por Manuel Cícero Peregrino da Silva, então Diretor da Biblioteca Nacional do Brasil.

Biblioteconomia na PUC-Campinas
A formação de profissionais pelo Curso de Biblioteconomia da PUC-Campinas está de acordo com as Diretrizes Curriculares propostas pelo MEC, compreendendo um núcleo de formação geral e um núcleo de formação específica. Ela é completada por estágios obrigatórios e práticas de formação.
Os egressos do Curso de Biblioteconomia da PUC-Campinas atendem à demanda da região de Campinas, que não oferece o mesmo curso em outras instituições de ensino superior.
O Curso de Biblioteconomia tem como foco o estudo da informação. Seu diferencial está na possibilidade de oferecer aos alunos formação que os qualifique a tratar a informação originária de ambientes diversificados e disponíveis em suportes variados, recorrendo às tecnologias de informação e de comunicação para melhor cumprir seu papel de agente disseminador de informações.
O objetivo do curso é a formação de profissional para atuar na área de informação, tornando-o apto a planejar, desenvolver e oferecer serviços de informação, de forma autônoma, na modalidade de consultoria ou vinculada a unidades de informação, como bibliotecas em geral, centros de documentação e de pesquisa, serviços de informação e de tecnologia, acervos documentais de organizações variadas.
O Curso de Biblioteconomia tem duração de 4 anos (8 semestres), sendo oferecidas anualmente 60 vagas no período noturno. Conta com uma moderna infra-estrutura apoiada por biblioteca, laboratórios e com professores mestres e doutores que desenvolvem atividades de monitoria, projetos de pesquisa e extensão abertos à participação dos alunos.

O Bibliotecário formado pela PUC-Campinas
A Faculdade de Biblioteconomia da PUC-Campinas destaca o seguinte perfil do bacharel em Biblioteconomia a ser buscado em termos de competências e habilidades:
- profissional apto ao exercício da Biblioteconomia, na perspectiva do gestor de unidades de informação, cujas competências e habilidades compreendam o planejamento, implantação e gerenciamento de unidades de informação, bem como o desenvolvimento, a preservação, organização e disseminação de coleções bibliográficas, de modo a facilitar o aperfeiçoamento cultural, social, educacional e científico-tecnológico em instituições de ensino e pesquisa;
- profissional apto ao exercício da Biblioteconomia, na perspectiva do gestor da informação em organizações empresariais e/ou científicas, cujas competências e habilidades compreendam a identificação de demandas informacionais, tratamento, organização, análise, gerenciamento, mensuração e monitoramento da informação científica e tecnológica, de modo a facilitar o fluxo de informação, sua criação, organização e uso para a geração de conhecimento, inovação, tomada de decisão, competitividade, etc.;
- bacharel em Biblioteconomia apto a exercer atividades profissionais como empreendedor ou empresário, de forma autônoma e independente, seja como gestor de unidades de informação, seja como gestor de informação na forma de prestação de serviços, consultorias e assessorias;
- bacharel em Biblioteconomia apto a lidar com a informação, independente de seu formato, dominando o uso de tecnologias de informação e comunicação;
- profissional motivado, perspicaz, crítico, e reflexivo, participante ativo no ambiente do qual será parte, ético e comprometido com as questões de seu tempo.

Consulte!
http://www.puc-campinas.edu.br/graduacao/cursos/curso.aspx?curs=46

Links Interessantes
Biblioteconomia na PUC-Campinas
(http://www.puc-campinas.edu.br/graduacao/cursos/curso.aspx?curs=46)
Conselho Federal de Biblioteconomia (http://www.cfb.org.br)
Conselho Regional de Biblioteconomia 8a. Região – SP (http://www.crb8.org.br)
OFAJ (http://www.ofaj.com.br)
Sobresites (http://www.sobresites.com/biblioteconomia/index.htm)




Biblioteconomia da PUC-Campinas na Mídia


Município registra falta de bibliotecários em escolas

Lei obriga que até 2020 todas unidades tenham um profissional especializado

06/06/2011 - 07h45 . Atualizada em 08/06/2011 - 11h27
Inaê Miranda

Laís Rocha, bibliotecária do Colégio Photom, em Campinas: "Trabalho em um ambiente agradável, silêncio e disciplina
(Foto: Gustavo Tilio/Especial para a AAN)

As instituições de ensino públicas e privadas de todo o País contarão com uma biblioteca até 2020. A lei federal sancionada em 2010 obriga ainda que em cada uma das escolas tenha um bibliotecário. Entretanto, tudo indica que a determinação não será cumprida a tempo, pelo menos em Campinas. Passado um ano, nenhuma das escolas municipais possui um profissional especializado na área. Na rede estadual, não há levantamento de quantos profissionais trabalham nas bibliotecas escolares.

A lei considera biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura. Ela determina um acervo de livros no espaço de leitura de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado. O trabalho de orientações de guarda, preservação e organização deve ser feito por um profissional bibliotecário.
Todas as 44 Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef) de Campinas possuem uma biblioteca. Das 155 Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emei), apenas 70 possuem um espaço de leitura. Mas em nenhuma delas há um profissional formado em biblioteconomia. Segundo a Secretaria de Estado da Educação (SEE), todas as escolas estaduais de Campinas possuem uma sala de leitura, mas normalmente quem atua são professores realocados. A SEE informou que não tem um levantamento específico do número de bibliotecários. Segundo as secretarias Municipal e de Estado, a maioria dos profissionais que atuam nas bibliotecas escolares existentes é professor realocado.
Em toda a região, apenas a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC) oferece o curso no período noturno. Atualmente, existem duas turmas: o primeiro e o quarto anos de biblioteconomia, com cerca de 60 alunos no total. Todos os alunos do 4º ano já trabalham ou fazem estágio na área.

Para a coordenadora do curso de biblioteconomia da universidade, a falta de bibliotecas escolares e de bibliotecários no Brasil é bastante grave. Esse é um curso que hoje não é tão divulgado e conhecido justamente porque não temos bibliotecas nos níveis básicos e intermediários de formação e poucos sabem que existe esse profissional e qual a sua potencialidade”, afirma Mariangela Zanaga.

Segundo o professor de biblioteconomia César Pereira, já faltam profissionais para a demanda atual. “É um campo em muita expansão e faltam profissionais porque a procura é baixa. Temos estudos que apontam que há um déficit de 179 mil profissionais em todo o País e que para dar conta de cumprir a lei no prazo determinado, precisaríamos construir 25 bibliotecas por dia. Hoje, muitas empresas e instituições solicitam alunos para estágio e nós não temos para enviar”, afirma.
Leitura

A expectativa de quem atua na área é de que as escolas tenham em breve uma biblioteca e um bibliotecário. Com essa lei, acredito que a situação pode mudar e que as crianças e jovens cheguem à universidade com um melhor desempenho porque terão frequentado uma biblioteca e criado o hábito da leitura”, afirma Mariângela.
A Secretaria de Estado da Educação informou que apesar de não ter o levantamento de quantos profissionais atuam na rede, está ciente da lei e até 2020 vai se adaptar. A Secretaria Municipal de Educação informou que atualmente não tem nenhum projeto relacionado às bibliotecas, mas que analisa o que pode ser feito para dar cumprimento à lei.
Valorização
Os estudantes e profissionais da área esperam que o curso de biblioteconomia seja mais conhecido e reconhecido. “A biblioteca escolar é pouco abordada, mas é muito importante. Espero que as escolas percebam a necessidade do espaço de leitura e do profissional. Acredito também que, com a lei, o curso será mais procurado e reconhecido”, afirma a estudante do 4º ano, Diana de Souza.

“O brasileiro não tem o hábito da leitura, frequenta pouco a biblioteca e não tem noção do que a gente faz. Espero que os profissionais sejam realmente contratados, como determina a legislação”, diz Lucia Helena Santini, bibliotecária da Escola Americana de Campinas.
“Trabalho em um ambiente agradável, de atenção, silêncio e disciplina, mas gosto principalmente porque faço um trabalho de leitura lúdica com as crianças e desenvolvo um projeto de teatro para atrair os alunos maiores para a biblioteca. Isso é muito prazeroso e recompensador”, afirma Laís Domeni Rocha, de 30 anos, bibliotecária da Colégio Photom, em Campinas.

Frequentadores da Biblioteca Municipal de Campinas: espaço para leitura e busca de informações

http://www.rac.com.br/noticias/educacao/86178/2011/06/06/municipio-registra-falta-de-bibliotecarios-em-escolas

FAÇA BIBLIOTECONOMIA!

domingo, 4 de setembro de 2011

Mulher de atitude assusta ou encanta ?



Nos últimos 30 anos, mais ou menos, o universo feminino tem experimentado profundas e inimagináveis mudanças. Se isso é bom ou ruim? Depende! Depende de como cada mulher encara e lida com essas mudanças. Depende da flexibilidade, da capacidade de ponderação, da noção de si em relação ao que acontece no mundo.

Enfim, mudanças são inevitáveis desde que a humanidade existe. Isto é fato e, portanto, indiscutível. Agora, sabemos que quando se trata de coração, amor e relações afetivas, as mudanças são sempre polêmicas e pedem um tempo para serem compreendidas, assimiladas e transformadas em possibilidades positivas, altruístas e criativas. Cada um no seu ritmo, ao seu tempo...

E com as mulheres de atitude, o caso não é diferente! Hoje mesmo, pra começarmos a ter uma noção de que tipo de atitude podemos estar falando, recebi uma notícia por e-mail que dizia assim: "Site de traição registra mais de 11 mil mulheres em apenas um dia. Brasil é o país com maior índice de traição e amantes nos locais onde o site já atua". Obviamente, o título me chamou a atenção e fui ler do que se trata. Resumindo: foi criado um site, já presente em vários países, e lançado no Brasil há 42 dias, para pessoas infelizes no atual relacionamento encontrarem amantes dispostos a ter apenas casos discretos.

A matéria aponta o número de registros de homens - que ainda é maior comparado com o das mulheres - e ainda arrisca estatísticas e razões para tudo isso. E fiquei me perguntando: o que é que está acontecendo conosco, meu Deus? O que significa essa busca? Medo? Conformismo? Desesperança? Excesso de atitude feminina? Falta de atitude masculina? Tudo isso junto e ao mesmo tempo?

Bem, penso que nenhuma dessas perguntas ou das respostas que poderíamos encontrar sejam um motivo por si só. Evidente que esse panorama é resultado dessas últimas décadas de mudança não só nas atitudes femininas como também nas masculinas. E muito mais vêm por aí, sem dúvida.

Somos um sistema. Não tem essa de encontrar os responsáveis. As mulheres não são o que são apenas por si mesmas e nem os homens. Afetamos e somos afetados pelo outro, sempre! Mas a impressão que me fica é a de que perguntas como essa que fiz no título deste artigo (Mulher de atitude assusta ou encanta?) jamais deveriam ser levadas em conta no momento de nortear o próximo passo feminino ou o próximo julgamento masculino e vice-versa.

Penso estar mais do que na hora de começarmos a formular perguntas e buscar respostas dentro da gente e não fora. Importa muito menos o fato de uma mulher estar encantando ou assustando os homens com suas atitudes do que o fato de ela se questionar se estas atitudes estão realmente coerentes com seu coração, seu desejo mais genuíno e as reais intenções para sua vida!

Ainda aposto que atitudes espontâneas, sintonizadas com sentimentos conscientes, sejam sempre encantadoras; enquanto que atitudes imbuídas de estratégias e joguinhos sejam sempre assustadoras, ainda que demorem a revelar estas facetas. O fato é que quanto mais as pessoas se tornam fakes, pouco importa qual imagem estão vendendo, o resultado nunca poderá ser bom!

De modo que a minha sugestão, às pessoas que se relacionam para fazer o amor valer a pena e não para pegar o primeiro atalho e amenizar os desafios da atual relação, é que procurem ter atitudes sempre. E que procurem o equilíbrio: nem se ausentar e nem se exceder. Mas como isso nem sempre é fácil, quando não souberem o que fazer, apenas esperem, em silêncio, ouvindo o próprio coração, até que a melhor resposta apareça.

Porque, no final das contas, é sempre melhor calar enquanto não houver nada de bom a dizer. Assim como é sempre melhor aquietar enquanto não houver nenhuma atitude em harmonia com seu coração a ser tomada!


Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos
e Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.
www.rosanabraga.com.br - Comunidade no Orkut, Twitter e Parperfeito

Email: rosanabraga@rosanabraga.com.br











segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Emprego do tempo

Amigos,

Estou organizando uma Biblioteca particular de um
Doutor em Filosofia.
Entre os livros, todos maravilhosos e que
atrasam o meu trabalho porque só quero ficar lendo, há um de
Sêneca , filósofo e escritor romano.
O livro chama-se “As relações humanas” .
No capítulo IV, Sêneca fala do Emprego do Tempo e eu transcrevo para vocês, a parte que mais gostei:

“...Tudo que pertence ao passado é do âmbito da morte.
Portanto, meu caro Lucílio, age como dizes na tua carta:
Sê proprietário de todas as tuas horas.
Serás menos escravo do amanha, se te tornares dono do presente.
Enquanto a remetemos para mais tarde, a vida passa, nada, Lucílio nos pertence;
Só o tempo é nosso. “

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece!

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece!
:: Rosemeire Zago ::


Esse antigo ditado chinês descreve uma idéia básica oriental, a conexão entre a psique humana e as ocorrências exteriores, o mundo interior e exterior. Alguma vez você pensou muito como resolver determinada situação, sem saber como deveria agir? E de repente teve uma intuição que deveria mudar o rumo das coisas ou o caminho a seguir, podendo ser logo depois de abrir a página de um livro que leu sem querer, ao ouvir uma conversa na fila ou após um sonho? Pensou em alguém que gostaria de falar ou encontrar e logo em seguida se encontrou ou recebeu um telefonema da pessoa que pensou? Essas situações podem se tornar comum em alguma época na vida de algumas pessoas, o que nos confirma que nada acontece por acaso.

Apesar de nós, ocidentais, termos muita dificuldade em entender esses eventos, muitas vezes acreditando que tudo aquilo que não pode ser percebido pelos cinco sentidos ou explicados pela razão, seja considerado de menor valor, na verdade a sincronicidade nos proporciona um vislumbre interior e que há de fato um elo entre nós e o Universo. Mas como os eventos significativos são manifestos em linguagem simbólica, podem dificultar seu entendimento e assim se tornam muitas vezes ignorados e desprezados. Mas talvez seja possível entender um pouco mais sobre as coincidências significativas tendo uma compreensão da teoria de Jung. A primeira vez que Jung utilizou o termo sincronicidade publicamente foi em 1930, mas a primeira publicação só ocorreu em 1952, quando ele tinha 75 anos. Como podemos perceber esses fatos já são estudados há algum tempo.

Muitos acontecimentos aparentemente casuais podem ser significativos. Quantas vezes você não se deparou com coincidências ou encontros e não pôde explicar como ocorreram? Ou seja, quando existe uma coincidência entre um sentimento ou um pensamento e acontece um evento externo do qual a pessoa sente como significativo, damos o nome de sincronicidade. As coincidências significativas mais comuns acontecem quando estamos num momento de maior reflexão sobre o sentido da vida, momentos que parecem de algum modo diferentes, mais intensos e que não conseguimos muito explicar o que ocorre.

Não há explicação racional para situações em que uma pessoa tem um pensamento, sonho ou um estado psicológico interior que coincida com um acontecimento. Como nos casos em que pensamos em alguém, o telefone toca, e quem chama é a pessoa na qual estávamos pensando. E quando esses eventos tornam-se constantes é comum as pessoas ficarem assustadas, pois não entendem a profundidade desse processo. Quando entendemos e aceitamos a idéia de sincronicidade, qualquer acontecimento pouco comum é um convite para parar e pensar. Podemos sentir que "algo está tentando nos dizer alguma coisa" e essa sensação aumenta com cada novo acontecimento nesse sentido. Ter consciência de que as coincidências acontecem conosco é o primeiro passo para que passem a acontecer cada vez mais. Seja qual for o sinal, sentimos que é preciso decifrar uma mensagem e com isso tendemos a nos conhecer e crescer. É quando começamos a ter consciência de que algumas ocorrências podem mudar nossa vida. Para a sincronicidade, as coincidências dos acontecimentos significam algo mais do que mero acaso. Houve alguma coincidência que fez com que você chegasse até esse artigo e que agora percebe que foi significativa?
A sincronicidade pode nos dar a confirmação de que estamos no caminho correto, ou ainda, que devemos mudar o rumo que estamos indo. Algumas sensações como calafrio subindo pela espinha, de espanto ou calor, freqüentemente acompanham a sincronicidade.

Se quiser, poderá fazer um registro de informações em forma de diário. Formule as perguntas certas e fique atento que as respostas chegarão. Mais cedo ou mais tarde as coincidências vão ocorrer para levar você na direção indicada pela intuição. Quando passar a ouvir sua intuição, sua voz interior, logo perceberá que sua confiança proporcionalmente irá aumentar. Comece a ficar atento aos fatos de sua vida e em que circunstâncias eles ocorreram. Poderá ainda fazer um exercício construindo sua linha de tempo para aumentar seu autoconhecimento. Escreva eventos significativos de sua vida desde seu nascimento até o momento presente. Quais foram as situações mais marcantes em sua vida? Não precisa ser minucioso no relato, coloque eventos chaves que aconteceram de acordo com o ano ou com sua idade na época. Depois analise e identifique as lições que cada fato pode ter trazido para você e que pode não ter percebido quando ocorreram. Tenha consciência que sua vida tem um objetivo e que tudo que te acontece pode ter uma mensagem e um aprendizado. O que podem ter te ensinado? Percebeu um padrão repetitivo de experiências? Qual parece ser o objetivo da sua vida até agora? É isso que ainda quer para você ou tem perseguido objetivos que foram impostos e você os aceitou como seus? O que você preferia estar fazendo? O que te impede de mudá-los? Essas são apenas algumas sugestões de perguntas que você poderá fazer e deixar sua intuição e a sincronicidade te guiarem. Como diz Richard Bach: "Cada pessoa, todos os episódios de sua vida, aí estão porque você aí os colocou. O que você escolhe fazer com eles, depende de você!" E o que fazer com eles pode ser indicado pela sua intuição e sincronicidade. E realmente acontecem, por isso fique atento!

Se quiser saber mais:
- Jung, Sincronicidade e Destino Humano. - Progoff, Ira - Ed. Cultrix
- A Sincronicidade e o Tao - Bolen, Jean Shinoda
- A Profecia Celestina - Redfield, James - Ed. Objetiva

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Amigo de si mesmo

Amigo de si mesmo
Marta Medeiros

Em seu recém-lançado livro Quem Pensas Tu que Eu Sou?, o psicanalista Abrão Slavutsky reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros?

Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como Se o Cigarro de García Márquez Falasse, Somos Todos Estranhos ou A Crueldade é Humana. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria.

Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: “Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo”.

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha.

Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirilimpimpim.

Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade.

Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível.

Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: “Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza”. É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora.

Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso.
Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem.

Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto “ser amigo de si mesmo”.

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”.
Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância.

Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.

Martha Medeiros