domingo, 6 de dezembro de 2015

Limerência: eu me apaixonei pelo que inventei de você

Limerência: eu me apaixonei pelo que inventei de você

No final da década de 1970, a psicóloga norte-americana Dorothy Tennoy, entrevistou ao longo da década mais de quinhentos pacientes apaixonados, se dedicou a desenvolver a teoria sobre esse estado físico, espiritual e mental. Seu trabalho foi publicado no livro: Love and Limerence: The Experience of Being in Love, onde foi usado pela primeira vez o termo limerência. A definição que Tennoy utilizou na sua publicação foi a de “um estado involuntário interpessoal que causa um desejo agudo de reciprocidade emocional; pensamentos, sentimentos e comportamentos obsessivo-compulsivos e de dependência emocional de outra pessoa”.
Como diz o conceito de Dorothy, é algo involuntário, a pessoa não escolhe sentir isso. Acontece e domina a pessoa. Limerência é diferente de paixão, porque na paixão, depois dessa fase avassaladora, fica o amor. No caso da limerência passa a paixão e permanece o desejo de que o outro permaneça mesmo sem amor. Essa paixão no limerente nunca acaba, e pode ainda aumentar com o tempo. O objeto de amor se torna algo que toma conta do pensamento e da emoção de forma incontrolável.
Uma das mais prováveis causas de limerência é a carência, produtora de muita solidão e também da idealização, isto é, inventar uma representação mental do outro a tal ponto que esse outro se torna essencial e até mais importante que ela própria, algo ideal, insubstituível. No caso, ela se apaixona pela imagem que faz do outro, de forma brutal.
O que mais deseja uma pessoa limerente é qualquer nível de reciprocidade, ter um sentimento correspondido, migalhas afetivas servem muito bem a ele. E por essa razão, em alguns casos, ele pode se tornar um vampiro de atenção, carinho e mimos, colocando-se sempre em segundo plano, e arruinando sua estima pessoal. Enfim, limerência é sinônimo de exagero, desequilíbrio.
Frases típicas e repetitivas de uma pessoa limerente: “você me ama de verdade?”, “o que eu tenho que fazer para você me amar?”, “estou apaixonado”; “não sei porque tenho que dizer isso: mas estou te amando”; “sou capaz de deixar tudo só pra ficar com você”; “será que tenho alguma chance com você?”.
As principais características da limerência são:
  1. Surge de forma brusca e involuntária.
  2. Pensamentos incontroláveis e invasivos sobre a pessoa amada.
  3. A idealização das características da outra pessoa, seja de maneira positiva ou negativa.
  4. Uma timidez extrema e confusão diante da outra pessoa, com pulsação rápida, suor, rubor facial e tremores, entre outros sintomas físicos.
  5. Medo de rejeição, que levam ao desespero e a pensamentos suicidas, caso isso aconteça.
  6. Uma euforia extrema quando a outra pessoa também demonstra interesse.
  7. Fantasias de encontros com a pessoa amada.
  8. Lembrar da pessoa a todo instante e durante todas as atividades.
  9. Mudar os horários de forma a forçar encontros com a outra pessoa.
  10. Reproduzir na mente repetidamente os encontros com o outro.
Limerência, eu me apaixonei pelo que inventei de você. Há quem considere-a uma doença, um transtorno obsessivo-compulsivo. Pode até ser que alguns casos caminhe para essa doença. Mas sou contra essa precoce “patologização” dos padrões de conduta. Prefiro conhecer o caso e acolher a ideia de que, a rigor, sem generalizações, limerência é algo que indica necessidade de ajuda, tem solução e sugere um tratamento psicoterápico cuidadoso que poderá trazer ótimos resultados.

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